Aqui estão três pontos fundamentais sobre esse marco:
A Fonte da Tradução: Como o acesso aos textos originais em grego e hebraico era extremamente raro na Europa medieval, Wycliffe e seus assistentes (como John Purvey) traduziram a Bíblia a partir da Vulgata Latina (a tradução oficial da Igreja Católica na época). O texto foi escrito em Middle English (inglês médio), que era a língua falada pelo povo.
O Motivo Conflituoso: Wycliffe defendia ferozmente que as Escrituras pertenciam ao povo e que qualquer pessoa deveria ter o direito de lê-las em sua própria língua materna, sem a necessidade da mediação exclusiva do clero. Para a estrutura eclesiástica da época, disponibilizar a Bíblia na "língua comum" era visto como um ato perigoso de heresia que abria margem para falsas interpretações.
A Perseguição Posterior: A tradução, feita inteiramente à mão (já que a imprensa ainda não existia), circulou de forma clandestina através de seus seguidores, conhecidos como os Lolardos. A fúria da Igreja contra Wycliffe foi tamanha que, cerca de 40 anos após sua morte, o Concílio de Constança o declarou heregem: seus ossos foram exumados, queimados e suas cinzas jogadas no Rio Swift.
Essa primeira versão pavimentou o caminho para que, no século XVI, William Tyndale fizesse a primeira tradução direto do grego e do hebraico para o inglês, um trabalho que posteriormente serviu de base para a famosa Bíblia King James (1611).
Fonte imagem: Gemini
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