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14 setembro 2013

Salomão

Salomão é um personagem da Bíblia (mencionado, sobretudo, no Livro dos Reis), filho de David com Bate-Seba, que teria se tornado o terceiro rei de Israel, governando durante cerca de quarenta anos (segundo algumas cronologias bíblicas, de 1009 a 922 a.C.).

Salomão na tradição bíblica


O nome Salomão ou Shlomô (em hebraico:שלמה), deriva da palavra Shalom, que significa "paz" e tem o significado de "Pacifico". Também chamado de Jedidias (em árabe سليمان Sulayman) pelo profeta Natã, nome que em hebraico significa "Amado de Jeová". (II Samuel 12:24, 25)

Idealização do Templo de Salomão

Foi quem ordenou a construção do Templo de Jerusalém, no seu 4.º ano, também conhecido como o
Templo de Salomão, levado a efeito por Hiram Abiff, segundo a Bíblia, em Reis e em Crônicas. Depois disso, mandou construir um novo Palácio Real para o Sumo Sacerdote, o Palácio da Filha de Faraó, a Casa de Cedro do Líbano e o Pórtico das Colunas. A descrição do seu Trono era exemplar único em seus dias. Mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como diversas cidades fortificadas e torres de vigia.

Salomão se notabilizou pela sua grande sabedoria, prosperidade e riquezas abundantes, bem como um longo reinado sem guerras. Foi após a sua morte, que ocorre o previsto cisma nas Tribos de Israel, originando o Reino de Judá (formado pelas 2 Tribos), ao Sul, e o Reino de Israel Setentrional (formado pelas 10 Tribos), ao Norte.

Riquezas de Salomão


Taça de Ouro.

"O peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano era de seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro” 1 (equivalente a cerca de 10 toneladas de ouro) de tributos, além das outras fontes que não eram o próprio povo.2 "Todas as taças de que se servia o rei Salomão eram de ouro,[...]não havia nelas prata, porque nos dias de Salomão não se dava a ela estimação nenhuma"3 , ou seja, a riqueza em ouro do rei era tamanha que não precisava demonstrar sua riqueza em prata. Uma hipérbole bíblica: "Fez o rei que, em Jerusalém, houvesse prata como pedras e cedros (madeira nobre) em abundância como os sicômoros (espécie de árvore comum na região) que estão nas planícies."4

"O rei tinha no mar uma frota de Társis, com as naus de Hirão; de três em três anos, voltava a frota de Társis, trazendo ouro, prata, marfim, bugios e pavões. Assim, o rei Salomão excedeu a todos os reis do mundo, tanto em riqueza como em sabedoria. Todo o mundo procurava ir ter com ele para ouvir a sabedoria que Deus lhe pusera no coração. Cada um trazia o seu presente: objetos de prata e de ouro, roupas, armaduras, especiarias, cavalos e mulas, assim, ano após ano."5

O rei Salomão realizou uma expedição a Ofir, terra cuja localização é imprecisa. "Dentre as sugestões apresentadas estão o oeste da Árabia, o Cabo Horn, na África, a Índia e até mesmo o Peru."6 Nesta expedição ele contou com o apoio de seu amigo, o rei de Tiro, Hirão, que enviou-lhe marinheiros experientes.7 A descrição da expedição é "Chegaram a Ofir e tomaram de lá quatrocentos e vinte talentos de ouro (equivalente a cerca de 16 toneladas de ouro), que trouxeram ao rei Salomão".8

Templo de Salomão


Salomão ordenou a construção do primeiro Templo de Jerusalém, o qual começou a ser construído no quarto ano de seu governo, no segundo mês do ano 480 depois da saída de Israel do Egito. Foram necessários 30.000 trabalhadores para serrar a madeira no Líbano, 70.000 para o transporte das cargas e 80.000 que talhavam as pedras nas montanhas, além de 3.300 chefes-oficiais.9

O Templo media sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e trinta de altura.10 Era todo revestido em seu interior por cedro, madeira nobre, e nenhuma pedra se via; o chão era de tábuas de cipreste, também madeira nobre; posteriormente cobriu-se todo o interior do templo de ouro puro.11 O Santo dos Santos, câmara mais especial, que guardava a Arca da Aliança, era revestido totalmente de ouro, e era um cubo cuja aresta media vinte côvados.12 O altar também foi coberto de ouro. O Templo também apresentava enormes átrios (pátios) exteriores13

Reinado de Salomão


Rei Salomão,filho de David, em seu trono.

Existem diferentes datas para divisão do reino de Israel.

Adonias, o filho primogénito de David, proclamou-se pretendente ao Trono e sucessor de seu pai. Segundo os profetas, era da vontade Divina que o sucessor fosse Salomão, filho de David e Bate-Seba. Visto que Salomão não era o herdeiro imediato ao Trono, isso levou a intrigas e conspirações pelos partidários de Adonias. O direito de Salomão ao trono é assegurado mediante ação decidida de sua mãe, do Sumo Sacerdote Zadoque e do profeta Natã, com aprovação do idoso Rei David. Logo que se tornou rei, Salomão eliminou todos os conspiradores e consolidou o seu reinado.

Diferentemente de seu pai, Salomão não se tornou um líder guerreiro, pois isso não foi preciso. Soube manter a grande extensão territorial que herdara de seu pai. Mostrou, de acordo com a tradição judaica, ser um grande governante e um juiz justo e imparcial. Soube habilmente desenvolver o comércio externo e da indústria, as relações diplomáticas com países vizinhos, o que levou a um progresso considerável das cidades israelitas.

Salomão casou com uma filha de Faraó (Anelise) e recebeu como dote de casamento a cidade cananéia de Gezar. Renovou a aliança comercial com Hirão, Rei de Tiro. Ficou conhecido por ter ordenado a construção do Templo de Jerusalém (também conhecido como o Templo de Salomão), no Monte Moriá. Isto ocorreu no seu 4º ano de reinado, exatamente no 480.º ano (479 anos completos mais alguns dias ou meses) após o Êxodo de Israel do Egipto. (Os historiadores e exegetas bíblicos consideram esta data como artificial, embora haja alguns biblistas que a consideram uma sincronização autêntica.)

Após isso mandou construir fortes muralhas na cidade de Jerusalém, bem como mandou reconstruir e fortificar diversas cidades (como por exemplo, Megido, Bete-Seã, Hazor…) e construir cidades-armazém.

Salomão organizou uma nova estrutura administrativa, dividindo as terras em 12 distritos administrativos governados por funcionários nomeados diretamente pela administração central. No exército, deu especial importância a cavalaria e aos carros de guerra. Dispunha no porto de Eziom-Geber, no Golfo de Aqaba de uma frota de navios comerciais de longo curso, chamados de "navios de Társis".

Segundo I Reis 11:3, Salomão tinha setecentas mulheres e trezentas concubinas, e "suas mulheres lhe perverteram o coração e o seu coração não era perfeito para com o Jeová seu Deus, como o coração de Davi, seu pai".

Divisão do Reino


Com a sua morte, Roboão, seu filho, sucedeu-lhe no trono. Em vez de ouvir o conselho sábio dos anciãos das tribos de Israel para aliviar a carga tributária e os trabalhos compulsórios impostos por seu pai, ele mandou aumenta-los. Isso levou à rebelião das tribos setentrionais e à divisão do Reino em dois novos reinos: o Reino de Israel Setentrional (ou Reino das 10 Tribos, tendo como Rei Jeroboão I), e o Israel Meridional (tendo por capital Jerusalém e como rei, Roboão).

Tradição posterior


A tradição posterior imputaria a Salomão grande sabedoria e ao seu reinado o status de época áurea. Ele é considerado dentro da tradição judaico-cristã, como o homem mais sábio que já viveu até então. A Bíblia nos relata que no seu reinado diversos reis e governantes vinham a Israel fazer perguntas e receber conselhos do Rei Salomão, incluindo a rainha de Sabá. Durante os séculos posteriores, diversas obras de outros autores eram imputadas a Salomão, para dar-lhes valor.

História do Bebê


A Salomão é atribuída a famosa história de que duas mulheres foram ao seu palácio. Duas mulheres tiveram filhos juntos, um dos filhos morreu e a mãe do que morreu, pegou a da outra mãe. De manhã, ela percebeu que aquele que tinha morrido não era seu filho e começaram a discutir. Foram até o palácio do Rei Salomão e contaram-lhe a história. Ele mandou chamar um dos guardas e lhe ordenou: "Corte o bebê ao meio e dê um pedaço para cada uma". Falado isso, uma das mães começou a chorar e disse: "Não, eu prefiro ver meu filho nos braços de outra do que morto nos meus", enquanto a outra disse: "Pra mim é justo". Salomão, reconhecendo a mãe na primeira mulher, mandou que lhe entregassem o filho.14

Salomão na tradição islâmica


O Rei Salomão aparece no Corão com o nome de Sulayman ou Suleiman. No Islão, é considerado como um profeta e um grande legislador da parte de Alá .

Salomão à luz da História e da Arqueologia


Até o presente, não há comprovação capaz de conferir autenticidade histórica à figura do rei Salomão, além da própria Bíblia, nem que Jerusalém tenha sido, por volta do século X a.C., o centro de um reino amplo e próspero, conforme descrito no Livro dos Reis. Ademais, tendo sido Salomão um rei famoso por sua sabedoria e riqueza (como mostrado na Bíblia), era de se esperar que seu nome fosse referido por outros povos daquela região, sobretudo pelos fenícios de Tiro, com quem o reino de Salomão manteria intenso comércio. A ausência de quaisquer achados arqueológicos dessa natureza parece indicar que Salomão é, na verdade, o símbolo de um passado glorioso (ainda que legendário) que a maioria dos povos antigos apreciava se atribuir.15 Entretanto, as menções acerca da riqueza de Salomão e do reino de Israel presentes na Bíblia não são apenas superficiais, mas relatam expressivas fortunas, como a adquirida na expedição a Ofir, onde o lucro foi de cerca de dezesseis toneladas de ouro (precisamente 420 talentos de ouro)16 , e a necessária para a construção do Templo de Salomão (veja os tópicos: Templo de Salomão e Riquezas de Salomão). A construção do templo, aliás, é comprovada arqueologicamente com ruínas encontradas no subsolo do monte Sião. Ademais, a visita da rainha de Sabá comprova que Salomão era conhecido por sua sabedoria e riqueza em todo o Oriente Próximo, pois, para "averiguar se o rei fazia jus à sua reputação", ela partiu de uma terra mui distante, Sabá, que provavelmente se localizava no atual Iêmen.17

28 maio 2012

Fatos Fantásticos da Bíblia: Conheça a Complicada História de Sansão


Os Filisteus

Os filisteus, no período de Sansão, eram um dos principais povos em conflito com os israelitas e exerciam forte influência na região costeira do sul de Canaã, especialmente na faixa conhecida como Pentápolis Filisteia, formada por cidades como Gaza, Asdode, Ascalom, Gate e Ecrom.

Eles eram um povo de origem possivelmente ligada aos chamados “povos do mar”, que se estabeleceram na região por volta do século XII a.C. Diferente dos israelitas, que viviam em aldeias e zonas mais rurais do interior, os filisteus eram altamente urbanizados, organizados em cidades-estados bem estruturadas, cada uma governada por seus próprios líderes.

Um dos aspectos mais marcantes dos filisteus era seu avanço tecnológico para a época, especialmente no trabalho com o ferro. Enquanto os israelitas ainda dependiam amplamente de ferramentas de bronze, os filisteus já dominavam a metalurgia do ferro, o que lhes dava vantagem militar significativa em batalhas e na produção de armas.

Essa superioridade bélica ajudou a consolidar seu domínio sobre várias regiões de Israel durante o período dos juízes, criando uma situação de opressão constante. A narrativa bíblica descreve esse período como um tempo em que “os filisteus dominavam Israel por quarenta anos”, o que explica o contexto de conflito contínuo em que Sansão foi levantado.

Religiosamente, os filisteus eram politeístas e cultuavam deuses como Dagom, associado à fertilidade e ao grão, além de outras divindades ligadas à guerra e prosperidade. O templo de Dagom, citado no final da história de Sansão, era um dos centros religiosos importantes desse povo, funcionando também como espaço político e social.

Além disso, os filisteus eram estrategicamente organizados em alianças entre suas cidades, o que lhes permitia coordenar campanhas militares e resistir aos ataques de povos vizinhos. Isso os tornava um inimigo formidável para Israel, que ainda estava em processo de formação como nação unificada.

Dentro da narrativa de Sansão, eles aparecem não apenas como inimigos militares, mas também como um povo com forte identidade cultural, capaz de influenciar costumes, relações sociais e até conflitos pessoais, como no caso de seus relacionamentos com mulheres filisteias, que tiveram papel decisivo em sua história.

Em resumo, os filisteus da época de Sansão representavam uma potência regional organizada, tecnologicamente avançada para o contexto da Idade do Ferro inicial e politicamente estruturada em cidades independentes, o que explica por que o conflito entre eles e Israel foi tão intenso e duradouro.

A História de Sansão

A história de Sansão é uma das narrativas mais marcantes do livro de Juízes (capítulos 13 a 16), em um período em que Israel vivia um ciclo repetido de afastamento de Deus, opressão por povos inimigos e libertações realizadas por líderes chamados juízes.

Sansão foi um desses juízes, levantado por Deus em um tempo de grande crise espiritual e política, quando os filisteus dominavam parte de Israel.

O nascimento prometido

Em meio à opressão, um homem chamado Manoá, da tribo de Dã, e sua esposa — que era estéril — receberam a visita do Anjo do Senhor. A mensagem foi extraordinária: ela teria um filho, e esse menino seria separado por Deus desde o ventre materno.

Foi anunciado que ele deveria viver como nazireu, uma consagração especial que incluía não beber vinho ou bebida fermentada, não tocar em cadáveres e nunca cortar o cabelo. Essa consagração simbolizava separação e dedicação total a Deus.

O menino nasceu e recebeu o nome de Sansão. Desde cedo, “o Espírito do Senhor começou a agir nele”, indicando que sua vida seria marcada por uma força sobrenatural e uma missão específica contra os filisteus.

O início da força e os primeiros conflitos

Ao crescer, Sansão começou a demonstrar uma força extraordinária. Em uma de suas viagens, foi atacado por um leão, e, sem armas, o despedaçou com as próprias mãos — um dos primeiros sinais de sua força incomum.

Mais tarde, ele se envolveu com uma mulher filisteia, o que gerou tensões entre ele e esse povo. Durante a festa de casamento, propôs um enigma aos convidados. Incapazes de resolvê-lo, os filisteus pressionaram sua esposa, que revelou a resposta. Isso levou Sansão a um ato de vingança violento, marcando o início de uma série de confrontos diretos contra os filisteus.

Em outra ocasião, ele capturou trezentas raposas, amarrou tochas em suas caudas e as soltou nas plantações inimigas, destruindo as colheitas e provocando grande retaliação.

Conflitos crescentes e feitos impressionantes

A violência entre Sansão e os filisteus aumentou progressivamente. Após a morte de sua esposa e de seu sogro pelos filisteus, ele respondeu com ainda mais ataques.

Em um episódio posterior, Sansão foi capturado por homens de Judá, que o entregaram aos filisteus para evitar represálias. Porém, quando chegou ao inimigo, o Espírito do Senhor se apoderou dele, e ele rompeu as cordas que o prendiam.

Encontrando uma queixada de jumento, derrotou mil homens, mostrando novamente sua força extraordinária.

Depois disso, exausto e sedento, clamou a Deus, e milagrosamente surgiu água de uma rocha, sustentando sua vida.

Em outra ocasião, em Gaza, foi cercado por inimigos durante a noite. Sansão arrancou as portas da cidade com seus batentes e as carregou até o topo de uma colina, demonstrando humilhação total ao sistema de segurança filisteu.

Dalila e a queda de Sansão

O ponto mais conhecido de sua história envolve Dalila, mulher usada pelos líderes filisteus para descobrir a origem de sua força.

Ela insistiu várias vezes para que Sansão revelasse seu segredo. Ele a enganou inicialmente, mas, com o tempo, sua insistência o desgastou.

Por fim, Sansão revelou que sua força estava ligada ao seu voto de nazireu e ao fato de nunca ter tido seu cabelo cortado.

Enquanto ele dormia, Dalila mandou cortar seu cabelo. Nesse momento, segundo o texto bíblico, o Senhor se retirou dele, e sua força o abandonou.

Sansão foi capturado, teve os olhos furados e passou a ser escravo dos filisteus.

O templo de Dagom e o fim de Sansão

Com o tempo, o cabelo de Sansão começou a crescer novamente, enquanto ele permanecia preso e humilhado.

Durante uma grande celebração no templo do deus Dagom, os filisteus o trouxeram para ser ridicularizado diante da multidão.

Cego e enfraquecido, Sansão pediu a Deus uma última oportunidade de força.

Colocado entre as duas colunas principais do templo, ele as empurrou com toda sua força, fazendo a estrutura desabar. O templo ruiu, matando Sansão e milhares de filisteus reunidos ali.

Assim, segundo a narrativa bíblica, Sansão matou mais inimigos em sua morte do que em toda a sua vida.

A lição da história de Sansão

A vida de Sansão revela a tensão entre chamado divino e escolhas humanas. Ele foi separado por Deus desde o nascimento, dotado de força extraordinária e chamado para libertar Israel, mas muitas vezes agiu movido por impulsos, paixões e decisões precipitadas.

Sua história mostra que dons espirituais não substituem caráter, disciplina e obediência. Ao mesmo tempo, revela que, mesmo após falhas graves, ainda há espaço para arrependimento e para o agir de Deus.

A principal lição é que a verdadeira força não está apenas no poder físico ou em capacidades extraordinárias, mas na dependência de Deus, na fidelidade ao propósito e na sabedoria para permanecer firme diante das tentações.


Imagem: chatgpt

Referências Bibliográficas

  • BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
  • BÍBLIA DE ESTUDO NVI. São Paulo: Editora Vida.
  • BÍBLIA DE ESTUDO ARQUEOLÓGICA NVI. São Paulo: Editora Vida.
  • HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. Rio de Janeiro: CPAD.
  • MACARTHUR, John. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
  • LOPES, Hernandes Dias. Juízes: O povo, seus juízes e seu Deus. São Paulo: Hagnos.
  • CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos.
  • KEIL, Carl Friedrich; DELITZSCH, Franz. Comentário do Antigo Testamento. Peabody: Hendrickson Publishers.
  • JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD.
  • ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento. São Paulo: Vida.

23 junho 2011

Davi, Rei de Israel


David ou Davi (em hebraico: דוד, literalmente "querido", "amado"; no hebraico moderno Dávid, no hebraico tiberiano Dāwiḏ; em árabe: داود) foi o segundo monarca do reino unificado de Israel, de acordo com a Bíblia hebraica. Foi retratado como um rei bondoso, embora dotado de alguns defeitos, bem como um guerreiro, músico e poeta talentoso, que recebe tradicionalmente crédito por alguns dos salmos presentes no Livro de Salmos.

O célebre arqueólogo americano Edwin Thiele estabeleceu sua data de nascimento por volta de 1040 a.C., e sua morte em 970 a.C., tendo reinado sobre Judá de 1010 a 1003 a.C., e sobre o reino unificado de Israel de 1003 a 970 a.C.[1] Os livros bíblicos de Samuel, I Reis e I Crônicas são a única fonte de informação disponível sobre sua vida e seu reinado, embora a estela de Tel Dan registre a existência, em meados do século IX a.C., de uma dinastia real judaica chamada de "Casa de David".

A vida de David é particularmente importante para a cultura judaica, cristã e islâmica. No judaísmo David, ou Melekh David ("Rei Davi"), é o Rei de Israel e do povo judaico; um descendente direto seu será o Mashiach, o Messias judaico. No cristianismo David é mencionado como um ancestral do pai adotivo de Jesus, José, e no islamismo é conhecido como Daud, um profeta e rei de uma nação. Filho de Jessé, da tribo de Judá, teria nascido na cidade de Belém e se destacado na luta dos israelitas contra os filisteus. Tornou-se rei, sucedendo a Saul e conquistou Jerusalém, que transformou em capital do Reino Unido de Israel.

Seu nome é citado 1.139 vezes na Bíblia.

Arqueologia
Como acontece com vários outros personagens do antigo Israel, é relativamente difícil questionar a existência histórica de Davi. Embora não existam inscrições contemporâneas que façam referência ao rei, textos não muito posteriores achados na Palestina parecem mencionar seu nome. Um desses artefatos é a chamada estela de Tel Dan, descoberta ao norte da Galiléia. A estela de Tel Dan, achada no norte de Israel, traz um texto aramaico com a possível menção mais antiga ao nome de Davi fora da Bíblia. Também foram descobertas minas de cobre na Jordânia que podem ser uma indicação da existência do personagem bíblico Rei Salomão, filho e sucessor do Rei David.
Tradição bíblica
David viveu algures à volta de 1050 a.C., foi o segundo rei de Israel sucedendo a Saul (sua história é relatada em detalhes nos livros de I e II Samuel). Foi um rei popular e o homem mais vezes mencionado na Bíblia. Ele foi o oitavo e o mais novo filho de Jessé, um habitante de Belém. O seu pai parece ter sido um homem de situação modesta. O nome da sua mãe não se encontra registrado, mas alguns pensam que ela era a Nahash. Quanto à sua aparência pessoal, se sabe apenas que ele tinha cabelos ruivos, formoso semblante e gentil aparência.

Na narrativa bíblica ele aparece inicialmente como tocador de harpa na corte de Saul e ganha notoriedade ao matar em combate o gigante guerreiro filisteu Golias, ganhando o direito de casar com a filha do rei Saul e a isenção de impostos. Depois da morte de Saul, Davi governou a tribo de Judá, enquanto o filho de Saul, Isboset, governou o resto de Israel. Com a morte de Isboset, Davi foi escolhido o rei de toda Israel e seu reinado marca uma mudança na realidade dos judeus: de uma confederação de tribos, transformou-se em uma nação estabelecida. Ele transferiu a capital de Hebron para Jerusalém, após conquistá-la, pois esta não tinha nenhuma lealdade tribal anterior, e tornou-a o centro religioso dos israelitas, trazendo consigo a Arca Sagrada (seu mais sagrado objeto). Expandiu os territórios sobre os quais governou e trouxe prosperidade a Israel. Seus últimos anos foram abalados por rebeliões lideradas por seus filhos e rivalidades familiares na corte. Ele é tradicionalmente visto como o autor do livro dos Salmos, mas apenas uma parte é considerada seu trabalho.

Foi concedido por Deus, de acordo com a Bíblia, que a monarquia israelita e judaica iria certamente vir da sua linha de descendentes. O Judaísmo Ortodoxo acredita que o Messias será um descendente do Rei David. O Novo Testamento qualifica Jesus como descendente de David. Porém é certo que Jose esposo de Maria era descendente de Davi, porém como a historia diz Maria ficou gravida do Espirito Santo logo Jesus não descende de Davi. Segundo a tradição Judaica, o genro se tornava filho do seu sogro, então sendo assim Jesus descende de Davi. Maria também é descendente de Davi, portanto Jesus descende de Davi.

Foi ungido rei pelo profeta Samuel ainda durante o reinado de Saul, causando ciúmes de sua parte. Por isto David se exilou por um tempo ( evitando uma rebelião contra o rei, pois confiava em Deus, e não tinha o direito de tocar no ungido do Senhor)

Foi durante seu reinado que Jerusalém foi capturada dos jebuseus, tornando-se capital do reino de Israel.

Contudo hoje os historiadores já encontraram vestiges que comprovam a vida de Davi, este fato foi noticiado a pouco sobre uma pedra com relatos sobre o rei Davi

A Davi são atribuídos diversos salmos da Bíblia. Sabe-se contudo que se trata de pseudoepígrafe (uma falsa assinatura). Muitos salmos são historicamente datados após a morte de Davi.

Resumo do relato bíblico sobre DavidDeus havia ordenado por meio de Samuel que Saul destruísse completamente o povo amalequita por haverem atacado o povo de Israel durante o período do êxodo do Egito, no entanto Saul não destruiu o melhor dos despojos e o próprio rei Amalequita Agague. Por essa desobediência Samuel profetizou que Saul não seria mais o rei de Israel.

Samuel, instruído por Deus vai secretamente até a casa de Jessé para ungir um novo rei para Israel. Apesar de David ser o mais novo de seus sete irmãos ele foi o escolhido por Deus para ser ungido. A bíblia relata que nessa época um "mau espírito" atormentava Saul e seus servos buscaram alguém que soubesse tocar lira para que Saul se acalmasse. Saul se afeiçoou por David e fez dele seu escudeiro. Mais tarde quando o exército filisteu se reuniu para enfrentar os israelitas, um gigante chamado Golias desafiou o exército israelita a enviar um homem para enfrentá-lo, no entanto, os israelitas tiveram medo do gigante. David, indignando-se da vergonha que Golias trazia a Deus e a todo exército de Israel com suas palavras, decidiu enfrentá-lo. Saul ofereceu sua armadura para David, no entanto ele recusou por não ser treinado no combate com armadura e ser de pequena estatura em comparação à armadura (a Bíblia relata que Saul era particularmente alto dizendo que seus ombros sobressaíam acima do resto do povo), então Davi enfrentou Golias munido apenas de uma funda e algumas pedras. Logo no começo da batalha Davi acertou-lhe a testa com uma pedrada e, caindo Golias, arrancou-lhe a cabeça com sua própria espada.

Após a vitória David foi colocado como líder de um grupo de soldados e tornou-se o melhor amigo de Jônatas, filho de Saul. Sendo David bem sucedido em todas suas missões e ganhando fama entre o povo, o rei Saul passou a invejá-lo e temeu perder o poder para David. Algumas passagens Bíblicas falam da grande amizade que havia entre Davi e Jônatas . Como no caso da Declaração de Davi, para a Morte de Jônatas, onde Davi afirma: "Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres." 2 Samuel1:26

A partir daí Saul tentou por inúmeras vezes matar David, o qual fugiu para salvar-se. Percebe-se nitidamente na narrativa bíblica que David sempre respeitou a unção de Saul como rei.

David fugiu para o deserto, e começaram a reunir em torno de sí, todos os indesejáveis da época, a Bíblia fala que ladrões e assassinos começaram a procurá-lo, formando um pequeno contigente bélico, o qual o ajudava a se defender das investidas tanto do rei Saul, quanto de outros povos. Quando rei Saul morreu David governou a tribo de Judá. E Isboset, filho de Saul, governou o restante de Israel. Quando Isboset morreu David foi escolhido por Deus para governar a toda Israel. Ele foi um homem usado por Deus e fez muitas mudanças a Israel.

AscendênciaAbraão, com Sara
Isaque, com Rebeca
Jacó, com Lia
Judá, com Tamar
Farés, com mulher desconhecida
Esrom, com mulher desconhecida
Arão, com mulher desconhecida
Aminadabe, com mulher desconhecida
Nasom, com mulher desconhecida
Salmom, com Raabe
Boaz, com Rute
Obede, com mulher desconhecida
Jessé, com mulher desconhecida
Davi,com Bate-Seba

Descendência David, casado com Betsabá
Salomão, casado com Anelise
Roboão, casado com mulher desconhecida
Abia, casado com mulher desconhecida
Asa, casado com mulher desconhecida
Josafat, casado com mulher desconhecida
Joram, casado com mulher desconhecida
Ozias, casado com mulher desconhecida
Joatham, casado com mulher desconhecida
Acaz, casado com mulher desconhecida
Ezequias, casado com mulher desconhecida
Manassés, casado com mulher desconhecida
Amón, casado com mulher desconhecida
Josias, casado com mulher desconhecida
Jeconias, casado com mulher desconhecida
Salathiel, casado com mulher desconhecida
Zorobabel, casado com mulher desconhecida
Resá, casado com mulher desconhecida
Joanã, casado com mulher desconhecida
Jodá, casado com mulher desconhecida
José, casado com mulher desconhecida
Semeim, casado com mulher desconhecida
Matatias, casado com mulher desconhecida
Maat, casado com mulher desconhecida
Nagai, casado com mulher desconhecida
Esli, casado com mulher desconhecida
Naum, casado com mulher desconhecida
Amós, casado com mulher desconhecida
Matatias, casado com mulher desconhecida
José, casado com mulher desconhecida
Janai, casado com mulher desconhecida
Melqui, casado com mulher desconhecida
Levi, casado com mulher desconhecida
Matã, casado com mulher desconhecida
Heli, casado com Anna
Maria, mãe de Jesus, casada com São José
Jesus Cristo, solteiro, sem filhos
Abiud, casado com mulher desconhecida
Eliacim, casado com mulher desconhecida
Azor, casado com mulher desconhecida
Sadoc, casado com mulher desconhecida
Achim, casado com mulher desconhecida
Eliud, casado com mulher desconhecida
Matham, casado com mulher desconhecida
Jacob, casado com mulher desconhecida
São José, casado com Maria, mãe de Jesus
Jesus Cristo, solteiro, sem filhos
Natão, casado com mulher desconhecida
Matatá, casado com mulher desconhecida, sem filhos
Essa não é a única versão, pois não existe um consenso.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/David

19 novembro 2010

RAINHA DE SABÁ

A rainha de Sabá (em ge'ez: ንግሥተ ሳባ, transl. Nigista Saba, em hebraico: 'מלכת שבא, transl. Malkat Shva, em árabe ملكة سبأ‎, transl. Malikat Sabaʾ) foi, na Torá, no Antigo e no Novo Testamento, no Alcorão, na história da Etiópia e do Iêmen, uma célebre soberana do antigo Reino de Sabá. A localização deste reino pode ter incluido os atuais territórios da Etiópia e do Iêmen.


Conhecida entre os povos etíopes como Makeda (em ge'ez ማክዳ, transl. mākidā), esta rainha recebeu diferentes nomes ao longo dos tempos. Para o rei Salomão de Israel ela era a "rainha de Sabá". Na tradição islâmica ela era Balkis ou Bilkis. Flávio Josefo, historiador romano de origem judaica, a chamou de Nicaula. Acredita-se que tenha vivido no século X a.C..

Na Torá, uma tradição que narra a história das nações foi preservada em Beresh't 10 (Gênesis 10). Em Beresh't 10:7 existe uma referênca a Sabá (Shva), filho de Raamá, filho de Cuxe, filho de Cam, filho de Noé. Em Beresh't 10:26-29 há uma referência a Sabá - listada ao lado de Almodá, Selefe, Hazarmavé, Jerá, Hadorão, Usal, Dicla, Obal, Abimael, Ofir, Havilá e Jobabe, como os descendentes de Joctã, filho de Héber, filho de Salá, filho de Arfaxade, descendente de Sem, um dos filhos de Noé. A questão sobre se a rainha de Sabá representaria uma ancestral dos hamitas ou dos semitas suscita debates passionais até hoje.

Em 8 de maio de 2008, a Universidade de Hamburgo anunciou oficialmente que arqueólogos alemães, depois de uma pesquisa comandada pelo professor Helmut Ziegert, descobriram os restos do palácio da Rainha de Sabá, datados do século X a.C., em Axum (Aksum), uma cidade sagrada da Etiópia, sob um antigo palácio real.[1]

A rainha de Sabá no judaísmo e no Velho Testamento


Claude Lorrain, A Embarcação da Rainha de Sabá.De acordo com a Torá e o Velho Testamento, a rainha da terra de Sabá (cujo nome não é mencionado) teria ouvido sobre a grande sabedoria do rei Salomão de Israel, e viajado até ele com presentes de especiarias, ouro, pedras preciosas, e belas madeiras, pretendendo testá-lo com suas perguntas, como está registrado no Primeiro Livro de Reis (10:1-13) (relato copiado posteriormente no Segundo Livro de Crônicas, 9:1-12).

O relato prossegue apontando a rainha como maravilhada pela grande sabedoria e riqueza do rei Salomão, e pronunciando uma bênção sobre a divindade do rei. Salomão respondeu, por sua vez, com presentes e "tudo o que ela desejou", após o qual a rainha retornou ao seu país. Aparentemente, a rainha de Sabá seria muito rica, já que ela teria trazido 4 toneladas e meia consigo para presentear ao rei Salomão (I Reis, 10:10).

Nas passagens bíblicas que se referem explicitamente à rainha de Sabá não há sinal de amor ou atração sexual entre ela e o rei Salomão. Os dois são descritos apenas como dois monarcas envolvidos em assuntos de estado.

Outro texto bíblico, o Cântico dos Cânticos, contém algumas referências que, por diversas vezes, foram interpretados como se referindo ao amor entre Salomão e a rainha de Sabá. A jovem mulher do Cântico dos Cânticos, no entanto, nega continuamente as insinuações românticas de seu pretendente, que muitos estudiosos identificaram com o rei Salomão. De qualquer maneira, não há nada que identifique esta personagem deste texto com a rainha estrangeira, rica e poderosa, descrita do Livro dos Reis. A mulher do texto da canção claramente indica umas certas "filhas de Jerusalém" como suas iguais.

A tradição etíope posterior afirma com segurança que o rei Salomão realmente seduziu e engravidou sua convidada, e possui um relato detalhado de como ele o fez (ver a seção posterior relevante), um assunto de importância considerável para o povo etíope, já que a linhagem de seus imperadores remontaria àquela união.

A rainha de Sabá no islamismo

A rainha de Sabá, Bilqis, é mostrada ao deitar-se num jardim - desenho em tinta sobre papel, 1595.O Alcorão, texto religioso central do islã, nunca menciona a rainha de Sabá por seu nome, embora as fontes árabes a chamem de Balqis ou Bilqis. O relato corânico é similar àquele da Bíblia; a narrativa conta como Salomão recebeu relatos de um reino governado por uma rainha cujo povo venerava o Sol. Ele enviou uma carta, convidando-a a visitá-lo e discutir sobre a sua divindade, relatada como sendo Alá, o Senhor dos Mundos (Alamin) no texto islâmico. Ela aceitou o convite e preparou enigmas para testar sua sabedoria e seu conhecimento. Então, um dos ministros de Salomão (que tinha conhecimento do "Livro") propôs trazê-lo o trono de Sabá "num piscar de olhos".[2] Diante do feito, a rainha chegou à sua corte, mostrou-lhe seu trono, entrou no seu palácio de cristal e começou a fazer as perguntas. Impressionada por sua sabedoria, ela louvou sua divindade e, eventualmente, aceitou o monoteísmo abraâmico.

Visão no islamismo atual

Alguns acadêmicos árabes modernos têm identificado a rainha de Sabá como uma soberana de uma colônia ou entreposto comercial no noroeste da Arábia, estabelecido por reinos da Arábia Meridional.[carece de fontes?] As descobertas arqueológicas mais recentes confirmam o fato de que tais colônias realmente existiram, com achados como artefatos e inscrições no alfabeto arábico meridional, embora nada especificamente relacionado a Balkis ou Bilkis, a rainha de Sabá, tenha sido descoberto até agora.

A rainha de Sabá na cultura etíope

Afresco etíope da rainha de Sabá rumo a Jerusalém, cavalgando e armada com espada e lança.A familia imperial da Etiópia aponta sua origem a partir de um descendente da rainha de Sabá com o rei Salomão[3] A rainha de Sabá (em ge'ez ንግሥተ ሣብአ, transl. nigiśta Śab'a), é chamada de Makeda (ge'ez: ማክዳ) no relato etíope (que pode ser traduzido literalmente como "travesseiro").

A etimologia de seu nome é incerta, existindo duas correntes principais de pensamento divergindo sobre sua fonte etíope. Uma delas, que inclui o acadêmico britânico Edward Ullendorff, mantém que o nome seria uma corruptela de Candace, uma rainha etíope mencionada no Novo Testamento (Atos dos Apóstolos); a outra corrente liga o nome à Macedônia, e relaciona esta história com as lendas etíopes posteriores sobre Alexandre, o Grande e o período do século IV a.C.. Muitos acadêmicos, no entanto, como o italiano Carlo Conti Rossini, não se convenceram por nenhuma destas teorias, e declararam o assunto como ainda não-resolvido.[4]

Uma antiga compilação de lendas etíopes, o Kebra Negast ("Glória dos Reis"), foi datada como tendo sido escrito há 700 anos, e relata a história de Makeda e seus descendentes. Neste relato o rei Salomão teria seduzido a rainha de Sabá e tido com ela um filho, Menelik I, que se tornaria o primeiro imperador da Etiópia.

A narrativa contida no Kebra Negast - que não encontra paralelo na história bíblica - é de que o rei Salomão teria convidado a rainha de Sabá a um banquete, servindo comida condimentada a induzi-la a ter sede, e convidando-a para passar a noite em seu palácio. A rainha pediu-lhe então que jurasse não a tomar à força. Ele aceitou com a condição de que ela, por sua vez, não levasse nada de seu palácio à força. A rainha assegurou que não o faria, ofendida pela insinuação de que ela, uma monarca rica e poderosa, precisaria roubar qualquer coisa. No entanto, quando ela acordou no meio da noite, sedenta, pegou uma jarra de água que havia sido colocada ao lado de sua cama. O rei Salomão então apareceu, avisando-a de que estava a descumprir sua promessa, ainda mais pelo fato de que a água, segundo ele, seria a mais valiosa de todas as suas posses materiais. Assim, enquanto ela saciou sua sede, ela libertou o rei de sua promessa, e passaram a noite juntos.

A tradição de que a rainha de Sabá bíblica teria sido uma soberana da Etiópia que visitou o rei Salomão em Jerusalém, no antigo Reino de Israel, é referendada pelo historiador romano de origem judaica Flávio Josefo, que identificou a visitante de Salomão como sendo "Rainha do Egito e da Etiópia".

Enquanto não existem tradições conhecidas de matriarcado no Iêmen durante o início do primeiro milênio a.C., as primeiras inscrições dos governantes de D'mt, no norte da Etiópia e da Eritréia, mencionam rainhas de status elevado, possivelmente até igual ao de seus reis.[5]

Para a monarquia etíope, a linhagem salomônica e sabaítica tem considerável importância política e cultural. A Etiópia foi convertida ao cristianismo pelos coptas do Egito, e a Igreja Copta lutou por séculos para manter os etíopes numa condição de dependência e subserviência fortemente ressentida pelos imperadores etíopes.

A rainha de Sabá no cristianismo

Além de sua menção no Velho Testamento, a rainha de Sabá é mencionada, como Rainha do Sul, no Novo Testamento,[6] quando Jesus Cristo indica que ela e os ninivitas julgarão a geração dos contemporâneos de Jesus, que o rejeitaram.

As interpretações cristãs das escrituras enfatizam, tipicamente, tanto os valores históricos quanto os valores metafóricos da história. O relato da rainha de Sabá é interpretado como uma metáfora e uma analogia cristã: a visita da rainha a Salomão foi comparada ao casamento metafórico da Igreja com Cristo, onde Salomão seria o "ungido" (Cristo), ou messias, e Sabá representaria uma população de gentios que se submeteu ao messias; a castidade da rainha de Sabá foi descrita como um presságio da Virgem Maria; e os três presentes que ela teria levado a Israel (ouro, especiarias e pedras) foram vistos como análogos aos presentes dos Três Reis Magos (ouro, incenso e mirra). Esta última analogia, em particular, é enfatizada como sendo consistente com uma passagem do Livro de Isaías (60:6): "todos virão de Sabá; trarão ouro e incenso e publicarão os louvores do Senhor."[7]

Visão medieval

Entre as obras de arte realizadas na Idade Média que retratam a visita da rainha de Sabá estão o "Portal da Mãe de Deus", na Catedral de Amiens, do século XIII, incluída como analogia em parte de um painel maior que retrata os presentes dos Reis Magos..[8] As catedrais de Estrasburgo, Chartres, Rochester e Cantuária, do século XII, contêm interpretações artísticas da rainha em vitrais e bas decorações das jambas.[7]

Visão renascentista

Relevo renascentista da rainha de Sabá se encontrando com o rei Salomão - um dos vários painéis que compõem o portal do Batistério de Florença.Giovanni Boccaccio, em sua obra Sobre as mulheres famosas (De mulieribus claris, em latim), segue o exemplo de Josefo ao chamar a rainha de Sabá de Nicaula. Boccaccio ainda afirma que ela não só era rainha da Etiópia e do Egito, como também da Arábia, e que relatos afirmavam que ela tinha um palácio luxuoso numa "ilha muito grande" chamada Meroe, localizada em algum lugar próximo ao rio Nilo, "praticamente no outro lado do mundo." De lá, Nicaula cruzou os desertos da Arábia, através da Etiópia e do Egito, pela costa do mar Vermelho, até chegar a Jerusalém, onde se encontrou com "o grande rei Salomão".[9]

O livro Cidade das Damas, de Cristina de Pisano também chama a rainha de Sabá de Nicaula. Os afrescos de Piero della Francesca em Arezzo (1466) sobre a Lenda da Vera Cruz contêm dois painéis sobre a visita da rainha de Sabá a Salomão. A lenda ilustrada liga as vigas do palácio do rei Salomão à madeira utilizada na crucifixão. A sequência desta visão metafórica, do Renascimento, sobre a rainha de Sabá como uma analogia aos presentes dos Reis Magos, também está claramente evidente no Tríptico da Adoração dos Magos (1510), de Hieronymus Bosch. Bosch optou por retratar a rainha de Sabá e o rei Salomão no colar vestido por um dos magos.[10]

O Doutor Fausto, de Christopher Marlowe, se refere à rainha como Sabá, quando Mefistófeles está tentando persuadir Fausto da sabedoria das mulheres com quem ele supostamente será presenteado todas as manhãs.[11]

Descobertas arqueológicas recentes

Templo de Bar'an, em Ma'rib - construído no século XVIII a.C., e em uso por quase 1000 anos.Descobertas arqueológicas recentes feitas no Mahram Bilqis ("Templo de Bilkis"), em Ma'rib, no Iêmen, apoiam a tese de que a rainha de Sabá teria governado a Arábia Meridional, com evidências de que a área seria a capital do reino de Sabá.

Uma equipe de pesquisadores financiados pela American Foundation for the Study of Man (AFSM, "Fundação Americana para o Estudo do Homem") e liderada pelo professor de arqueologia da Universidade de Calgary, Bill Glanzman, vem trabalhando para decifrar os segredos de um templo de 3.000 anos de idade encontrado no deserto.[12]

Referências:
1.↑ [1] "Arqueólogos alemães encontram palácio da rainha de Sabá na Etiópia", Yahoo Notícias - Ciência & Saúde

2.↑ Alcorão, 27:40
3.↑ Antigo Testamento, 351
4.↑ David Allen Hubbard, "The Literary Sources of the Kebra Nagast", doctoral thesis (St. Andrews, 1954), pp. 303f.
5.↑ Rodolfo Fattovich, "The 'Pre-Aksumite' State in Northern Ethiopia and Eritrea Reconsidered" in Paul Lunde and Alexandra Porter ed., Trade and Travel in the Red Sea Region, in D. Kennet & St J. Simpson ed., Society for Arabian Studies Monographs No. 2. BAR International Series 1269. Archaeopress, Oxford: 2004, p. 73.
6.↑ Evangelho segundo Mateus, 12:42 e Evangelho segundo Lucas, 11:31.
7.↑ a b Byrd, Vickie, editor; Queen of Sheba: Legend and Reality, (Santa Ana, California: The Bowers Museum of Cultural Art, 2004), p. 17.
8.↑ Murray, Stephen, The Portals:Access to Redemption, http://www.mcah.columbia.edu/Mcahweb/facade/body.html, webpage, accessed August 6, 2006.
9.↑ Giovanni Boccaccio, De mulieribus claris
10.↑ Web Gallery of Art, http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/b/bosch/91adorat/01tripty.html, Visitado em 2 de agosto de 2006
11.↑ Marlowe, Christopher; Doctor Faustus and other plays: Oxford World Classics, p. 155.
12.↑ University of Calgary, http://www.ucalgary.ca/UofC/events/unicomm/NewsReleases/queen.htm, website accessed November 18, 2007

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rainha_de_Sab%C3%A1

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