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28 maio 2012
Fatos Fantásticos da Bíblia: Conheça a Complicada História de Sansão
Os Filisteus
Os filisteus, no período de Sansão, eram um dos principais povos em conflito com os israelitas e exerciam forte influência na região costeira do sul de Canaã, especialmente na faixa conhecida como Pentápolis Filisteia, formada por cidades como Gaza, Asdode, Ascalom, Gate e Ecrom.
Eles eram um povo de origem possivelmente ligada aos chamados “povos do mar”, que se estabeleceram na região por volta do século XII a.C. Diferente dos israelitas, que viviam em aldeias e zonas mais rurais do interior, os filisteus eram altamente urbanizados, organizados em cidades-estados bem estruturadas, cada uma governada por seus próprios líderes.
Um dos aspectos mais marcantes dos filisteus era seu avanço tecnológico para a época, especialmente no trabalho com o ferro. Enquanto os israelitas ainda dependiam amplamente de ferramentas de bronze, os filisteus já dominavam a metalurgia do ferro, o que lhes dava vantagem militar significativa em batalhas e na produção de armas.
Essa superioridade bélica ajudou a consolidar seu domínio sobre várias regiões de Israel durante o período dos juízes, criando uma situação de opressão constante. A narrativa bíblica descreve esse período como um tempo em que “os filisteus dominavam Israel por quarenta anos”, o que explica o contexto de conflito contínuo em que Sansão foi levantado.
Religiosamente, os filisteus eram politeístas e cultuavam deuses como Dagom, associado à fertilidade e ao grão, além de outras divindades ligadas à guerra e prosperidade. O templo de Dagom, citado no final da história de Sansão, era um dos centros religiosos importantes desse povo, funcionando também como espaço político e social.
Além disso, os filisteus eram estrategicamente organizados em alianças entre suas cidades, o que lhes permitia coordenar campanhas militares e resistir aos ataques de povos vizinhos. Isso os tornava um inimigo formidável para Israel, que ainda estava em processo de formação como nação unificada.
Dentro da narrativa de Sansão, eles aparecem não apenas como inimigos militares, mas também como um povo com forte identidade cultural, capaz de influenciar costumes, relações sociais e até conflitos pessoais, como no caso de seus relacionamentos com mulheres filisteias, que tiveram papel decisivo em sua história.
Em resumo, os filisteus da época de Sansão representavam uma potência regional organizada, tecnologicamente avançada para o contexto da Idade do Ferro inicial e politicamente estruturada em cidades independentes, o que explica por que o conflito entre eles e Israel foi tão intenso e duradouro.
A História de Sansão
A história de Sansão é uma das narrativas mais marcantes do livro de Juízes (capítulos 13 a 16), em um período em que Israel vivia um ciclo repetido de afastamento de Deus, opressão por povos inimigos e libertações realizadas por líderes chamados juízes.
Sansão foi um desses juízes, levantado por Deus em um tempo de grande crise espiritual e política, quando os filisteus dominavam parte de Israel.
O nascimento prometido
Em meio à opressão, um homem chamado Manoá, da tribo de Dã, e sua esposa — que era estéril — receberam a visita do Anjo do Senhor. A mensagem foi extraordinária: ela teria um filho, e esse menino seria separado por Deus desde o ventre materno.
Foi anunciado que ele deveria viver como nazireu, uma consagração especial que incluía não beber vinho ou bebida fermentada, não tocar em cadáveres e nunca cortar o cabelo. Essa consagração simbolizava separação e dedicação total a Deus.
O menino nasceu e recebeu o nome de Sansão. Desde cedo, “o Espírito do Senhor começou a agir nele”, indicando que sua vida seria marcada por uma força sobrenatural e uma missão específica contra os filisteus.
O início da força e os primeiros conflitos
Ao crescer, Sansão começou a demonstrar uma força extraordinária. Em uma de suas viagens, foi atacado por um leão, e, sem armas, o despedaçou com as próprias mãos — um dos primeiros sinais de sua força incomum.
Mais tarde, ele se envolveu com uma mulher filisteia, o que gerou tensões entre ele e esse povo. Durante a festa de casamento, propôs um enigma aos convidados. Incapazes de resolvê-lo, os filisteus pressionaram sua esposa, que revelou a resposta. Isso levou Sansão a um ato de vingança violento, marcando o início de uma série de confrontos diretos contra os filisteus.
Em outra ocasião, ele capturou trezentas raposas, amarrou tochas em suas caudas e as soltou nas plantações inimigas, destruindo as colheitas e provocando grande retaliação.
Conflitos crescentes e feitos impressionantes
A violência entre Sansão e os filisteus aumentou progressivamente. Após a morte de sua esposa e de seu sogro pelos filisteus, ele respondeu com ainda mais ataques.
Em um episódio posterior, Sansão foi capturado por homens de Judá, que o entregaram aos filisteus para evitar represálias. Porém, quando chegou ao inimigo, o Espírito do Senhor se apoderou dele, e ele rompeu as cordas que o prendiam.
Encontrando uma queixada de jumento, derrotou mil homens, mostrando novamente sua força extraordinária.
Depois disso, exausto e sedento, clamou a Deus, e milagrosamente surgiu água de uma rocha, sustentando sua vida.
Em outra ocasião, em Gaza, foi cercado por inimigos durante a noite. Sansão arrancou as portas da cidade com seus batentes e as carregou até o topo de uma colina, demonstrando humilhação total ao sistema de segurança filisteu.
Dalila e a queda de Sansão
O ponto mais conhecido de sua história envolve Dalila, mulher usada pelos líderes filisteus para descobrir a origem de sua força.
Ela insistiu várias vezes para que Sansão revelasse seu segredo. Ele a enganou inicialmente, mas, com o tempo, sua insistência o desgastou.
Por fim, Sansão revelou que sua força estava ligada ao seu voto de nazireu e ao fato de nunca ter tido seu cabelo cortado.
Enquanto ele dormia, Dalila mandou cortar seu cabelo. Nesse momento, segundo o texto bíblico, o Senhor se retirou dele, e sua força o abandonou.
Sansão foi capturado, teve os olhos furados e passou a ser escravo dos filisteus.
O templo de Dagom e o fim de Sansão
Com o tempo, o cabelo de Sansão começou a crescer novamente, enquanto ele permanecia preso e humilhado.
Durante uma grande celebração no templo do deus Dagom, os filisteus o trouxeram para ser ridicularizado diante da multidão.
Cego e enfraquecido, Sansão pediu a Deus uma última oportunidade de força.
Colocado entre as duas colunas principais do templo, ele as empurrou com toda sua força, fazendo a estrutura desabar. O templo ruiu, matando Sansão e milhares de filisteus reunidos ali.
Assim, segundo a narrativa bíblica, Sansão matou mais inimigos em sua morte do que em toda a sua vida.
A lição da história de Sansão
A vida de Sansão revela a tensão entre chamado divino e escolhas humanas. Ele foi separado por Deus desde o nascimento, dotado de força extraordinária e chamado para libertar Israel, mas muitas vezes agiu movido por impulsos, paixões e decisões precipitadas.
Sua história mostra que dons espirituais não substituem caráter, disciplina e obediência. Ao mesmo tempo, revela que, mesmo após falhas graves, ainda há espaço para arrependimento e para o agir de Deus.
A principal lição é que a verdadeira força não está apenas no poder físico ou em capacidades extraordinárias, mas na dependência de Deus, na fidelidade ao propósito e na sabedoria para permanecer firme diante das tentações.
Imagem: chatgpt
Referências Bibliográficas
- BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
- BÍBLIA DE ESTUDO NVI. São Paulo: Editora Vida.
- BÍBLIA DE ESTUDO ARQUEOLÓGICA NVI. São Paulo: Editora Vida.
- HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. Rio de Janeiro: CPAD.
- MACARTHUR, John. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
- LOPES, Hernandes Dias. Juízes: O povo, seus juízes e seu Deus. São Paulo: Hagnos.
- CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos.
- KEIL, Carl Friedrich; DELITZSCH, Franz. Comentário do Antigo Testamento. Peabody: Hendrickson Publishers.
- JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD.
- ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento. São Paulo: Vida.
15 maio 2012
Os Lecionários
Embora Caspar René Gregory houvesse relacionado cerca de 1 545 lecionários gregos, em seu Canon and text of the New Testament [Cânon e texto do Novo Testamento] (1912), cerca de 2 000 foram utilizados na obra crítica da United Bible Societies [Sociedades Bíblicas Unidas], The Greek New Testament (1966). A grande maioria dos lecionados consiste de textos para leitura tomados dos evangelhos. Os demais consistem de textos de Atos, às vezes ao lado de trechos das cartas. Ainda que fossem ornamentados com muita elaboração e às vezes até contivessem notações musicais, é preciso que se admita que os lecionários têm apenas valor secundário no estabelecimento do texto genuíno do Novo Testamento, No entanto, desempenham papel importante na compreensão de passagens específicas das Escrituras, como João 7.53— 8.11 e Marcos 16.9-20.(ide fonte no final do blog)
Importância dos Lecionários para a Formação da Bíblia:
Preservação e Transmissão Textual:
- Os lecionários ajudaram na preservação e transmissão dos textos bíblicos ao longo dos séculos, pois muitas vezes incluem passagens completas ou parciais das Escrituras. Isso é especialmente relevante porque algumas cópias individuais dos livros bíblicos podem ter se perdido ao longo do tempo, mas as leituras litúrgicas continuaram a garantir a exposição regular dos textos sagrados.
Padrões de Leitura e Uso Litúrgico:
- Os lecionários estabelecem padrões para quais partes da Bíblia são lidas em diferentes períodos litúrgicos, como Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, entre outros. Isso influencia a prática e a adoração da comunidade cristã ao longo do ano, proporcionando um contexto específico para a interpretação e reflexão das Escrituras.
Seleção de Passagens Significativas:
- A seleção cuidadosa das passagens nos lecionários enfatiza temas e eventos-chave da fé cristã, como a vida de Jesus, sua morte e ressurreição, e a mensagem dos apóstolos. Isso ajuda a moldar a compreensão teológica e espiritual da comunidade cristã através da repetição e contemplação regular das mesmas passagens ao longo dos anos.
Influência na Liturgia e na Teologia:
- Os lecionários não apenas influenciam a prática litúrgica, mas também contribuem para o desenvolvimento da teologia cristã ao enfatizar certos temas, relações simbólicas e a conexão entre o Antigo e o Novo Testamento. Eles ajudam a manter a coesão e a continuidade na interpretação das Escrituras dentro da tradição cristã.
Em resumo, os lecionários desempenham um papel fundamental na formação da Bíblia como um texto sagrado que não apenas é lido e estudado, mas também é vivenciado e celebrado na vida litúrgica da igreja. Eles são uma parte vital da herança textual e espiritual cristã, conectando gerações ao redor do mundo através da leitura e reflexão das Escrituras durante o culto e celebração.
Fonte: Como a Biblia chegou até nós, autor Norman Geisler e William Nix
Imagem: http://angelusexverum.blogspot.com.br/2011/03/lecionario-jaharis.html
Óstracos
Cacos de Cerâmica
Os óstracos são cacos de cerâmica freqüentemente utilizados como material de escrita entre as classes mais pobres da antigüidade. Exemplo do uso desse meio de escrita é uma cópia dos evangelhos registrados em vinte peças de óstracos. Seriam o que se poderia chamar "a Bíblia do pobre".
Essas peças de cerâmica (v. Is 45.9) permaneceram negligenciadas pelos estudiosos durante muito tempo, mas haveriam de lançar mais luz ao texto bíblico. Allen P. Wikgren relacionou cerca de 1 624 amostras desses humildes registros da história, em sua obra intitulada Greek ostraca [Óstracos gregos].1(vide fonte)
Os ostracos com fragmentos da época bíblica
A BÍBLIA é a inspirada
Palavra de Deus. (2 Timóteo 3:16)
O que ela diz sobre pessoas, lugares e situações religiosas e políticas dos
tempos antigos é exato. A autenticidade das Escrituras certamente não depende
de descobertas arqueológicas, embora tais descobertas confirmem ou esclareçam
nosso entendimento do registro bíblico.
Os itens encontrados em maior quantidade nas escavações em
antigos sítios arqueológicos são fragmentos ou pedaços de cerâmica. Esses
fragmentos são também chamados de óstracos, da palavra grega para “concha,
caco”. Pedaços de cerâmica eram usados como material de escrita barato em
muitos lugares do Oriente Médio antigo, incluindo o Egito e a Mesopotâmia.
Óstracos eram usados para registrar contratos, relatórios contábeis, vendas, e
assim por diante, do mesmo modo como hoje se usam blocos de anotações e folhas
de papel. Geralmente escritos a tinta, os textos nos óstracos variavam de
apenas uma palavra a muitas dezenas de linhas ou colunas.
Escavações arqueológicas em Israel já descobriram muitos
óstracos dos tempos bíblicos. Três coleções, datadas do sétimo e oitavo
séculos AEC, são de especial interesse, pois confirmam vários detalhes das
informações históricas contidas na Bíblia. São as coleções de óstracos de
Samaria, de Arade e de Laquis. Vamos conhecer melhor cada uma dessas coleções.
Os óstracos de Samaria
Samaria foi a capital do reino
setentrional de Israel, composto por dez tribos, até sua queda para os assírios
em 740 AEC. Segundo 1 Reis 16:23, 24, no trigésimo primeiro ano do reinado de
Asa, rei de Judá (por volta de 947 AEC), Onri adquiriu o monte de Samaria de
Semer por dois talentos de prata e fundou a cidade que levaria seu nome. A
cidade continuou a existir até a era romana, quando foi renomeada para Sebaste,
desaparecendo finalmente como cidade no sexto século EC.
Durante escavações em Samaria
em 1910, arqueólogos descobriram uma coleção de óstracos datados do oitavo
século AEC. Esses óstracos registravam carregamentos de óleo e vinho que
chegavam a Samaria de várias localidades vizinhas. Comentando essa descoberta,
o livro "Ancient Inscriptions—Voices From the Biblical World"
descreve os 63 óstracos encontrados como um dos conjuntos mais importantes de
inscrições antigas de Israel que sobreviveram. Sua importância não reside
apenas no conteúdo, mas também no extenso inventário de nomes de israelitas,
clãs e locais geográficos. Como esses nomes confirmam os detalhes do registro
bíblico?
Quando os israelitas
conquistaram a Terra Prometida e a dividiram entre as tribos, a região de
Samaria foi atribuída à tribo de Manassés. Conforme Josué 17:1-6, os
descendentes de Manassés, através de seu neto Gileade, receberam lotes de terra
nessa área. Entre eles estavam os clãs de Abiezer, Heleque, Asriel, Siquém e Semida.
Hefer, o sexto na lista, não teve filhos homens, mas cinco filhas: Maala, Noa,
Hogla, Milca e Tirza, cada uma recebendo uma parte de terra (Números 27:1-7).
Os óstracos de Samaria
preservam sete desses nomes de clã — os cinco filhos de Gileade e duas netas de
Hefer, Hogla e Noa. De acordo com a NIV Archaeological Study Bible, "Os
nomes de clã preservados nos óstracos de Samaria estabelecem uma conexão
adicional, além do que está registrado na Bíblia, entre os clãs de Manassés e o
território onde se estabeleceram". Assim, esses óstracos confirmam
aspectos da história antiga das tribos de Israel conforme registrados na
Bíblia.
Além disso, os óstracos de
Samaria lançam luz sobre a situação religiosa dos israelitas na época, conforme
descrita na Bíblia. Durante o período dos óstracos de Samaria, os israelitas
frequentemente misturavam a adoração de Jeová com a adoração do deus cananeu
Baal. A profecia de Oséias, do mesmo período, previa um tempo em que Israel,
arrependido, chamaria Jeová de "meu esposo" ao invés de "meu
baal" (Oséias 2:16, 17, nota). Alguns nomes encontrados nos óstracos de
Samaria significam "Baal é meu pai", "Baal canta",
"Baal é forte", "Baal se lembra" e similares. A proporção
de nomes pessoais contendo alguma forma de "Jeová" é menor em
comparação aos que contêm "Baal".
Os óstracos de Arade
Arade era uma antiga cidade
localizada numa região semi-árida chamada Negebe, ao sul de Jerusalém. Durante
as escavações em Arade, foram reveladas seis fortalezas israelitas
consecutivas, desde os dias do reinado de Salomão (1037-998 AEC) até a
destruição de Jerusalém pelos babilônios em 607 AEC. Os escavadores recuperaram
de Arade a maior coleção de óstracos dos tempos bíblicos, incluindo mais de 200
objetos com inscrições em hebraico, aramaico e outros idiomas.
Alguns dos fragmentos de Arade
corroboram as informações bíblicas sobre famílias sacerdotais. Por exemplo, um
deles menciona “os filhos de Corá”, referidos em Êxodo 6:24 e Números 26:11. Os
cabeçalhos dos Salmos 42, 44-49, 84, 85, 87 e 88 atribuem esses salmos
especificamente aos “filhos de Corá”. Outras famílias sacerdotais mencionadas
nos óstracos de Arade incluem as de Pasur e Meremote, conforme registrado em 1
Crônicas 9:12 e Esdras 8:33.
Um exemplo notável é um
fragmento de cerâmica encontrado nas ruínas de uma fortaleza, datando do
período pouco antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios. O fragmento
era endereçado ao comandante da fortaleza e, de acordo com a publicação The
Context of Scripture, incluía a expressão: “A meu senhor Eliasibe. Que Iavé
[Jeová] se preocupe com teu bem-estar... A respeito do assunto sobre o qual me
deste ordens: está tudo bem agora; ele permanece no templo de Iavé.” Muitos
estudiosos acreditam que este templo se refere ao de Jerusalém, originalmente
construído nos dias de Salomão.
Os óstracos de Laquis
A antiga cidade-fortaleza de
Laquis situava-se aproximadamente a 45 quilômetros a sudoeste de Jerusalém. Em
escavações realizadas em 1930, foi descoberto um conjunto de fragmentos, dos
quais pelo menos 12 eram cartas descritas como “extremamente importantes... por
sua explicação da situação política e do tumulto geral que prevalecia enquanto
Judá se preparava para o inevitável ataque do rei babilônio Nabucodonosor”.
As cartas mais significativas
incluem correspondência entre um oficial subordinado e Yaosh, provavelmente o
comandante militar em Laquis. A linguagem dessas cartas é similar à usada pelo
profeta contemporâneo Jeremias. Considere como duas delas corroboram a
descrição bíblica desse período crítico.
Jeremias 34:7 descreve o tempo
em que “as forças militares do rei de Babilônia lutavam contra Jerusalém e
contra todas as cidades de Judá que sobravam, contra Laquis e contra Azeca;
porque elas, as cidades fortificadas, eram as que restavam dentre as cidades de
Judá”. Uma das Cartas de Laquis parece descrever os mesmos eventos,
mencionando: “Estamos atentos aos sinais [de fogo] de Laquis... porque não
podemos ver Azeca.” Muitos estudiosos interpretam isso como indicação de que
Azeca havia caído perante os babilônios e que Laquis seria a próxima a ser
conquistada. Um detalhe interessante é a referência aos “sinais de fogo”,
mencionados também em Jeremias 6:1.
Outra Carta de Laquis parece
confirmar o que os profetas Jeremias e Ezequiel disseram sobre os esforços do
rei de Judá para obter ajuda do Egito na rebelião contra Babilônia. A carta
menciona: “Agora seu servo recebeu a seguinte informação: o general Konyáhu,
filho de Elnatã, foi para o sul a fim de entrar no Egito.” Essa ação é
frequentemente interpretada como um esforço para buscar assistência militar do
Egito, conforme descrito por Jeremias 37:5-8; 46:25, 26 e Ezequiel 17:15-17.
Os óstracos de Laquis também
mencionam vários nomes que aparecem no livro de Jeremias, como Nerias,
Jaazanias, Gemarias, Elnatã e Osaías (Jeremias 32:12; 35:3; 36:10, 12; 42:1).
Embora não se possa afirmar com certeza se esses nomes se referem às mesmas
pessoas, a similaridade é notável, considerando que Jeremias viveu nesse
período.
Um aspecto comum
As coleções de óstracos de
Samaria, Arade e Laquis confirmam vários detalhes do registro bíblico,
incluindo nomes de famílias, designações geográficas e aspectos do contexto
religioso e político da época. No entanto, há um importante aspecto em comum
entre as três coleções.
As cartas encontradas nas
coleções de Arade e Laquis frequentemente incluem expressões como “Que Jeová
peça a tua paz”. Em sete das mensagens de Laquis, o nome de Deus é mencionado
11 vezes. Além disso, muitos dos nomes pessoais hebreus encontrados nas três
coleções contêm a forma abreviada do nome Jeová. Assim, esses óstracos
confirmam que o nome divino era usado no dia-a-dia entre os israelitas daquela
época.(vide fonte 2)
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93straco
Códex Washingtoniano - também conhecido como Codex W ou Codex Freerianus ou Codex Washingtonianus
O Códex Washingtoniano, também conhecido como Codex Washingtonianus ou simplesmente Codex W, é um importante manuscrito grego dos Evangelhos pertencente ao grupo dos códices unciais do Novo Testamento. Ele é identificado na crítica textual como W (Gregory-Aland 032).
O manuscrito é especialmente famoso porque preserva uma rara combinação de diferentes tradições textuais dentro do mesmo códice e por conter um trecho conhecido como o “Logion de Freer”, uma passagem adicional no Evangelho de Marcos encontrada em poucos manuscritos.
Seu nome “Washingtoniano” vem da cidade de Washington, nos Estados Unidos, onde o códice é preservado atualmente.
Data de produção
O Códex Washingtoniano é datado aproximadamente do:
- final do século IV ou início do século V d.C.
Essa data é estabelecida por:
- análise paleográfica da escrita uncial,
- comparação com outros códices gregos antigos,
- características do pergaminho e da estrutura textual.
👉 Ele pertence ao mesmo grande período dos famosos códices Sinaiticus e Vaticanus.
Onde foi produzido (origem)
A origem mais provável do manuscrito é:
- o Egito cristão.
Isso é sugerido por:
- o estilo da escrita,
- características do pergaminho,
- tradições textuais associadas ao códice,
- e o histórico de descoberta no mercado de antiguidades egípcio.
👉 O Egito foi um dos maiores centros de preservação de manuscritos cristãos antigos.
Quem escreveu
O manuscrito não possui autoria identificada.
Ele foi produzido por:
- escribas cristãos profissionais,
- provavelmente ligados a um scriptorium monástico ou eclesiástico.
Características observadas:
- escrita uncial relativamente regular,
- presença de correções posteriores,
- organização textual cuidadosa.
Como ele foi escrito
O texto foi copiado em:
- grego koiné,
- letras maiúsculas unciais,
- escrita contínua (scriptio continua).
Características adicionais:
- uso de nomina sacra,
- divisão textual dos Evangelhos,
- sinais litúrgicos posteriores em algumas partes.
👉 O códice mostra sinais de uso contínuo ao longo dos séculos.
Material e estrutura
O códice foi produzido em:
- pergaminho (pele de animal tratada)
Características físicas:
- contém os quatro Evangelhos,
- formato códice,
- uma coluna por página,
- preservação relativamente boa em várias seções.
O que torna o manuscrito especial
1. Mistura de tradições textuais
O Códex Washingtoniano é famoso porque diferentes partes dele seguem diferentes famílias textuais.
Por exemplo:
- Mateus → tradição bizantina
- Marcos → texto misto com características ocidentais
- Lucas → tradição alexandrina
- João → tradição bizantina
👉 Isso faz dele um manuscrito extremamente importante para a crítica textual.
2. O “Logion de Freer”
O códice contém uma passagem rara adicionada em:
- Marcos 16:14
Essa passagem é chamada:
- Logion de Freer
Ela inclui uma expansão textual envolvendo:
- Satanás,
- pecado,
- incredulidade,
- e autoridade espiritual.
👉 Essa leitura é extremamente rara entre os manuscritos do Novo Testamento.
3. Manuscrito uncial antigo
Ele pertence ao grupo dos grandes códices gregos antigos preservados em pergaminho.
4. Valor para crítica textual
Ajuda os estudiosos a:
- comparar tradições textuais,
- entender a circulação dos Evangelhos,
- analisar variantes antigas.
Onde foi encontrado e sua história
O manuscrito foi adquirido no início do século XX pelo colecionador americano:
- Charles Lang Freer
Sua trajetória conhecida:
- provavelmente preservado no Egito por muitos séculos
- adquirido no mercado de antiguidades
- levado para os Estados Unidos
- estudado por especialistas modernos
👉 O códice passou a integrar a chamada:
- Freer Collection
Onde está guardado hoje
O Códex Washingtoniano está preservado em:
Smithsonian Institution — Freer Gallery of Art / Freer Sackler Gallery, Washington D.C., EUA
Identificação:
- Codex W (GA 032)
Conteúdo do códice
O manuscrito contém:
Novo Testamento
- Evangelho de Mateus
- Evangelho de Marcos
- Evangelho de Lucas
- Evangelho de João
👉 Algumas partes possuem lacunas e danos históricos.
Características que o tornam único
1. Texto híbrido
Poucos manuscritos misturam tantas tradições textuais diferentes.
2. Logion de Freer
Preserva uma das expansões textuais mais raras do Evangelho de Marcos.
3. Importância para os Evangelhos
É um dos principais manuscritos para estudo comparativo dos Evangelhos gregos.
4. Preservação excepcional
Apesar da antiguidade, muitas partes permanecem legíveis.
Importância histórica
O Códex Washingtoniano é importante porque:
- preserva múltiplas tradições textuais antigas,
- ajuda a estudar a evolução dos Evangelhos,
- contém variantes raras do Novo Testamento,
- é um testemunho importante da transmissão textual cristã antiga.
Resumo final
O Códex Washingtoniano é um manuscrito grego uncial dos Evangelhos, produzido entre os séculos IV e V, famoso por combinar diferentes famílias textuais e por preservar o raro Logion de Freer. Atualmente preservado em Washington D.C., ele é um dos mais importantes códices para o estudo da crítica textual do Novo Testamento.
Bibliografia
Metzger, Bruce M.; Ehrman, Bart D. The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration. Oxford University Press.
Aland, Kurt; Aland, Barbara. The Text of the New Testament. Eerdmans.
Parker, D. C. An Introduction to the New Testament Manuscripts and Their Texts. Cambridge University Press.
Scrivener, Frederick H. A. A Plain Introduction to the Criticism of the New Testament. George Bell & Sons.
Hurtado, Larry W. The Earliest Christian Artifacts: Manuscripts and Christian Origins. Eerdmans.
Kenyon, Frederic G. Our Bible and the Ancient Manuscripts. Harper & Brothers.
Sanders, Henry A. The New Testament Manuscripts in the Freer Collection. Macmillan.
Diringer, David. The Book Before Printing: Ancient, Medieval and Oriental. Dover Publications.
Turner, Eric G. Greek Manuscripts of the Ancient World. University of London.
Nestle-Aland. Novum Testamentum Graece (28ª edição). Deutsche Bibelgesellschaft.
United Bible Societies. The Greek New Testament (5th Revised Edition).
Gregory, Caspar René. Textkritik des Neuen Testaments.
Smithsonian Institution — Freer Gallery Manuscript Collection. https://asia.si.edu
Institute for New Testament Textual Research (INTF), University of Münster. https://www.uni-muenster.de/INTF/
Center for the Study of New Testament Manuscripts (CSNTM). https://www.csntm.org
Imagem: http://www.asia.si.edu/collections/zoomObject.cfm?ObjectId=48653
O manuscrito é um palimpsesto (raspado, apagado) reescrito em que originariamente estavam gravados o Antigo e o Novo Testamento. O texto sagrado foi apagado para que nesses pergaminhos se escrevessem sermões de Efraim, pai da igreja do século IV. Mediante reativação química, o conde Tischendorf foi capaz de decifrar as escritas quase invisíveis dos pergaminhos. Esse manuscrito está guardado na Biblioteca Nacional de Paris, e deixa à mostra sinais e evidências de duas fases de correções: a primeira, c2 ou cb, foi realizada na Palestina, no século vi, e a segunda, c3 ou Cc, foi acrescentada no século IX, em Constantinopla.
Fonte: Como a Biblia chegou até nós, autor Norman Geisler e William Nix
Codex Basilensis
Descoberta
Codex contém o texto dos quatro Evangelhos em 318 folhas de pergaminho, com lacunas (Lucas 1,69-2,4; 3,4-15; 12,58-13,12; 15,8-20; 24,47-fin). O texto está escrito em uma coluna por página, em 21 linhas por página.[1]
Contém tábulas do κεφαλαια, κεφαλαια, τιτλοι, as Seções Amonianas, e os Cânones Eusebianos.[2]
Atualmente acha-se no Universidade de Basiléia (AN III 12).[1]
Texto
O texto grego desse códice é um representante do Texto-tipo Bizantino. Aland colocou-o na Categoria V.[1]
Referências
1. ↑ a b c ALAND & ALAND, Kurt & Barbara. The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism: Trad. por Erroll F. Rhodes (em inglês). Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1995. 110 p.
2. ↑ GREGORY, Caspar René. Textkritik des Neuen Testaments, Vol. 1. Leipzig: Hinrichs, 1900. 48 p.
Bibliografia
• Russell Champlin, Family E and Its Allies in Matthew (Studies and Documents, XXIII; Salt Lake City, UT, 1967).
• J. Greelings, Family E and Its Allies in Mark (Studies and Documents, XXXI; Salt Lake City, UT, 1968).
• J. Greelings, Family E and Its Allies in Luke (Studies and Documents, XXXV; Salt Lake City, UT, 1968).
• F. Wisse, Family E and the Profile Method, Biblica 51, (1970), pp. 67–75.
Ligações externas
• O Commons possui uma categoria com multimídias sobre Codex Basilensis
• R. Waltz, Codex Basilensis E (07) (em inglês): na Encyclopedia of Textual Criticism
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Basilensis
Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Codex_Basilensis_08.jpg
Codex Augiensis
Atualmente acha-se no Trinity College (Cambridge) (Cat. number: B. XVII. 1).[1]
O texto é escrito em duas colunas por página, em 28 linhas por página.[1]
Texto
O texto grego desse códice é um representante do Texto-tipo Ocidental. Aland colocou-o na Categoria II.[1]
Referências
1. ↑ a b c d ALAND & ALAND, Kurt & Barbara. The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism: Trad. por Erroll F. Rhodes (em inglês). Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1995. 110 p.
Bibliografia
• F. H. A. Scrivener, Contributions to the Criticism of the Greek New Testament bring the introduction to an edition of the Codex Augiensis and fifty other Manuscripts, Cambridge 1859.
• K. Tischendorf, Anecdota sacra et profana ex oriente et occidente allata sive notitia, Lipsiae 1861, pp. 209-216.
• W.H.P. Hatch, On the Relationship of Codex Augiensis and Codex Boernerianus of the Pauline Epistles, Harvard Studies in Classical Philology, Vol. 60, 1951, pp. 187–199.
Ligações externas
• Codex Augiensis (em inglês) na Trinity College Library Cambridge
• Codex Augiensis F (010) (em inglês): na Encyclopedia of Textual Criticism
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Augiensis
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Augiensis
Codex Athous Lavrensis
Codex Athous Lavrensis designado por Ψ ou 044 (Gregory-Aland), δ 6 (von Soden), é um manuscrito uncial grego dos quatro evangelhos, datado pela paleografia como sendo do século IX.[1]
Actualmente acha-se no Grande Lavra (B' 52) em Monte Atos.[1]
Descoberta
Contém 261 folhas (21 x 15.3 cm) dos quatro evangelhos, Atos, Paulo, com várias lacunas (Mateus; Marcos 1,1-9,5; em Hebreus 8,11-9,19), e foi escrito com uma coluna por página, contendo 31 linhas cada.[1]
Ele contém respiração e acentos.[2]
Contém o κεφαλαια, as Seções Amonianas, ele necessita de Cânones Eusebianos.[2]
Texto
O texto grego desse códice é misto. Aland colocou-o na Categoria III.[1]
O texto grego do Evangelho segundo Marcos é um representante do Texto-tipo Alexandrino (semelhante ao Codex Regius).
Referências
1. ↑ a b c d Kurt und Barbara Aland, Der Text des Neuen Testaments. Einführung in die wissenschaftlichen Ausgaben sowie in Theorie und Praxis der modernen Textkritik. Deutsche Bibelgesellschaft, Stuttgart 1981, p. 123. ISBN 3-438-06011-6. (em alemão)
2. ↑ a b C. R. Gregory, "Textkritik des Neuen Testaments", Leipzig 1900, vol. 1, p. 94 (em alemão)
Bibliografia
• Kirsopp Lake, Texts from Mount Athos, Studia Biblica et Ecclesiastica, 5 (Oxford 1903), pp. 89–185.
• Kirsopp Lake, The Text of Codex Ψ in St. Mark, JTS I (1900), pp. 290–292.
• C. R. Gregory, Textkritik des Neuen Testaments (Leipzig 1900), vol. 1, pp. 94–95.
• Hermann von Soden, Die Schriften des Neuen Testaments in ihrer altesten erreibaren Textgestalt, I, III (Berlin, 1910), pp. 1664,-1666, 1841, 1921, 1928.
• M.-J. Lagrange, La critique rationnelle (Paris, 1935), pp. 109 f.
Ver também
• Lista de manuscritos unciais do Novo Testamento Grego
• Manuscrito bíblico
• Codex Petropolitanus Purpureus
• Crítica textual
Ligações externas
• Codex Athous Lavrentis Ψ (044): na Encyclopedia of Textual Criticism
• Kirsopp Lake, Texts from Mount Athos (Oxford 1903)
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Athous_Lavrensis
Codex Athous Dionysiou
Crítica textual
Referências
1.↑ Kurt Aland and Barbara Aland, The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism, trans. Erroll F. Rhodes, William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan, 1995, p. 118.
Literatura
Compilações
Kirsopp Lake e Silva New, Six Collations of New Testament Manuscripts Harvard Theological Studies, XVII, (Cambridge, Massachusetts, 1932; 2007), pp. 3–25.
Artigos
Russell Champlin, Family E and Its Allies in Matthew (Studies and Documents, XXIII; Salt Lake City, UT, 1967).
J. Greelings, Family E and Its Allies in Mark (Studies and Documents, XXXI; Salt Lake City, UT, 1968).
J. Greelings, Family E and Its Allies in Luke (Studies and Documents, XXXV; Salt Lake City, UT, 1968).
Frederik Wisse, Family E and the Profile Method, Biblica 51, (1970), pp. 67–75.
Codex Argenteus
O famoso palimpsesto Códice Argenteus, é um evangeliário, um livro sagrado cristão contendo partes dos quatro evangelhos (não chega a ser uma Bíblia, nem mesmo um Novo Testamento). Das 336 folhas originais do Codex, se conservam 188, incluindo o fragmento descoberto em 1970 na Catedral de Speyer, contendo a tradução da maior parte dos quatro evangelhos em língua gótica, sendo o texto mais conhecido neste idioma extinto, e uma das principais fontes de conhecimento da mais antiga língua germânica que se tem evidência escrita, o idioma gótico.
Algumas letras de ouro embelezam as primeiras três linhas de cada evangelho, na ordem de Mateus, João, Lucas e Marcos, bem como os inícios das diferentes seções. Os nomes dos escritores dos Evangelhos também aparecem em ouro no alto de quatro "arcadas" paralelas, assentadas ao pé de cada coluna de escrita. Essas fornecem referências a passagens paralelas nos Evangelhos.[1] A maior parte do Codex Argenteus (187 folhas) está em exibição permanente na biblioteca Carolina Rediviva da Universidade de Uppsala, Suécia. A última folha se encontra na Catedral de Speyer, Alemanha.
História
Origem
A Bíblia de prata foi escrita provavelmente em Rávena no começo do século VI para o Rei dos ostrogodos, Teodorico o Grande. Foi produzida como um livro sagrado especial para a corte do Rei dos godos e dos romanos, com algumas letras escritas com tinta de ouro. As partes das copias dos evangelhos correspondem ao cânon ou regra do o bispo Eusébio de Cesareia e nas Tabelas de Concordância dos quatro evangelistas que aparecem nos quatro arcos de prata desenhados em cada página. O restante das letras escritas com tinta de prata (daí o nome argenteus, de prata em latim), em pergaminho de alta qualidade colorido de púrpura com tintas vegetais, adornado e provavelmente encadernado com pérolas e pedras preciosas. Depois da morte de Teodorico no ano 526 a Bíblia de prata não foi mencionada em inventários ou listas de livros durante mais de mil anos, quando foi redescoberta na Abadia beneditina de Werden, perto de Essen, na Renânia, Alemanha por dois teólogos de Colônia, Georg Cassander e Cornelius Wouters (segundo a correspondência do século XVI que cruzaram mediantes outros estudiosos).
O Mistério dos mil anos
Cerca de trinta anos depois da morte de Teodorico o Grande, o reino ostrogodo na Itália chegou a seu fim com a conquista do mesmo pelo Império Bizantino de Justiniano, que veio de Rávena sua capital na Itália. Visto que o Codex Argenteus era Pertencente a uma fé perseguida por heréticos, escrito num idioma que já não era usado, os estudiosos se perguntam como chegou à abadia de Werden, em Renânia desde Rávena, na Padania, e sobretudo, como uma folha se separou e chegou a Speyer.
Existem três teorias principais:
• A separação temporã em que a folha teria se separado do Códice na temporã Idade Média e seguindo a distintas relíquias de santos da Igreja. Enaquanto isso, os restos do manuscrito passariam pela Europa, chegando aos lugares de culto de seus portadores;
• A separação posterior. Supõe-se que a folha de Speyer teria permanecido junto com o restante do Códice em Werden por volta do século XV. Quando seus detentores separaram a última folha do códice para enviá-la a Mainz, pediram informações sobre a natureza do códice que estava num idioma desconhecido. Em Moguncia, a folha solta teria sido posta junto com as relíquias de São Erasmo. As folhas teriam sido reunidas novamente pelo principal arcebispo de Moguncia Alberto de Brandeburgo por volta de 1545, ano da sua morte.
• A via carolíngia. Supõe-se que o Códice argenteus esteve em Rávena quando foi tomado por Carlos Magno e levado a sua capital em Aachen, a pouca distãncia da Abadia de Werden.[2]
Redescobrimento
Por volta do ano 799, as 187 folhas do pergaminho estavam preservadas na Abadia beneditina de Werden guardada entre os monastérios mais ricos do Sacro Império Romano-Germânico, cujos abades possuíam o título de príncipes imperiais. A parte restante do livro apareceu na biblioteca do imperador Rodolfo II em sua sede imperial de Praga. Em 1648, no fim da Guerra dos Trinta Anos, foi tomado como botín de guerra e levado a Estocolmo, para a biblioteca da rainha Cristina da Suécia. Depois de sua conversão ao catolicismo e sua posterior abdicação (1654), o livro desaparece de sua biblioteca e é levado aos Países Baixos pelo bibliotecário da rainha, Isaac Vossius. Em 1662, foi comprado pelo Chanceler sueco Magnus Gabriel De la Gardie, que proporcionou a atual encadernação e o resguardou na Universidade de Uppsala.[3] Olof Rudbeck, que foi reitor da universidade nessa época, foi suspeito da falsificação do manuscrito ocorrida na década de 1670, com o objetivo de aumentar a confiabilidade de documentos antigos que provariam suas teorias políticas sobre a Grande Suécia.[4]
Hoje em dia, o códice permanece na biblioteca Carolina Rediviva da da Universidade de Uppsala, Suécia. Em Março de 1995, a capa e algumas folhas do Códice foram roubados da exposição pública na Biblioteca Carolina Rediviva, aproveitando falhas de segurança. Apareceu um mês depois numa na Estação Central de Ferroviária de Estocolmo, Suécia. Desconhece-se se o resto do livro sobreviveu, mas o paradeiro dos outros fragmentos continuam sendo um mistério.
O fragmento de Speyer
A folha final do códice, a folha 336, foi descoberta em outubro de 1970 por Franz Haffner, na Catedral de Speyer, Alemanha. Foi encontrada na capela de Santa Afra de Augsburgo enrolada em volta de um marco de madeira, contendo um pequeno relicário originário de Aschaffenburg. A folha contém os nove últimos versículos do capítulo 16 do Evangelho de Marcos.
Conteúdo do inteiro codex
• Evangelho de Mateus: 5:15-48; 6:1-32; 7:12-29; 8:1-34; 9:1-38; 10:1,23-42; 11:1-25; 26:70-75; 27:1-19,42-66.
• Evangelho de João: 5:45-47; 6:1-71; 7:1-53; 8:12-59; 9:1-41; 10:1-42; 11:1-47; 12:1-49; 13:11-38; 14:1-31; 15:1-27; 16:1-33; 27:1-26; 28:1-40; 29:1-13.
• Evangelho de Lucas 1:1-80; 2:2-52; 3:1-38; 4:1-44; 5:1-39; 6:1-49; 7:1-50; 8:1-56; 9:1-62; 10:1-30; 14:9-35; 15:1-32; 16:1-24; 17:3-37; 18:1-43; 19:1-48; 20:1-47.
• Evangelho de Marcos: 1:1-45; 2:1-28; 3:1-35; 4:1-41; 5:1-5; 5-43; 6:1-56; 7:1-37; 8:1-38; 9:1-50; 10:1-52; 11:1-33; 12:1-38; 13:16-29; 14:4-72; 15:1-47; 16:1-12 (+ 16:13-20).
Publicações
Logo após o reaparecimento deste códice, os eruditos passaram a estudar sua escrita para descobrir o sentido da língua gótica morta. A primeira publicação que menciona o códice apareceu em 1569, por Johannes Goropius Becanus de Amberes (provavelmente, devido a seus contactos com Georg Cassander e Cornelius Wouters). Em 1597, Bonaventura Vulcanius, outro neerlandês, publicou o texto, sendo a primeira publicação do texto gótico que leva o nome de Codex Argenteus. Franciscus Junius, tio de Isaac Vossius, imprimiu na Holanda a Primeira Edição do códice em 1665. Em 1737, Lars Roberg, médico de Uppsala, fez uma Xilogravura de una página do manuscrito; foi incluído na edição de Benzelius de 1750, e a prancha xilográfica se preserva na Biblioteca Diocesana e Regional de Linköping. A edição estandarte foi produzida pelo professor da Universidade de Uppsala Anders Uppström, entre 1854 e 1857. Recorrendo aos manuscritos disponíveis e a anteriores tentativas de restauração do texto, o erudito alemão Wilhelm Streitberg compilou e publicou em 1908 "Die gotische Bibel" (A Bíblia Gótica), com o texto grego e gótico em páginas opostas. Em 1927 realizou-se a última e mais importante edição tipo fac-símile do códice pelo professor de Química e premio Nobel Theodor Svedberg e também pelo Dr. Hugo Andersson.[5]
Referências
1. ↑ w94 15/5 página 8 A Bíblia gótica, uma notável realização
2. ↑ Munkhammar, Lars, Codex argenteus. From Ravenna to Uppsala – the wanderings of a Gothic manuscript from the early sixth century, 64ª Conferência Geral da IFLA, de 16 a 21 de agosto de 1998 64th IFLA General Conference
3. ↑ Universidade de Uppsala
4. ↑ Landau, David, The study of old texts with the aid of digital technology: the Gothic manuscripts, Tampere University of Technology-Institute of Software Systems, Informe del 26 de octubre de 2001, descrito en página 25
5. ↑ w94 15/5 página 9, Manuscritos que sobreviveram
• Bologna, Giulia, Illuminated Manuscripts: The Book before Gutenberg, New York: Crescent Books, 1995. pg. 50.
Ligações externas
• O Codex Argenteus Online (em inglês)
• Wulfila Project (em inglês) Biblioteca digital dedicado ao estudo gótico
• Site oficial do Codex Argenteus (em inglês) em Língua sueca)
• Lars Munkhammar, Uppsala University Library, "Codex Argenteus" (em inglês)
• Bibliografia do Codex Argenteus (em inglês)
• [The Gothic Bible gotische Bibel] (em inglês) ] on Wikisource, Streitberg's edition
• the Gothic New Testament (em inglês) on wikisource, Patrologia Latina edition
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Argenteus
Imagem: http://www.unesco-ci.org/photos/showphoto.php/photo/6257/title/codex-argenteus-2c-an-op/cat/1037
Codex Angelicus ou Codex Passionei
Referências
1. ↑ Kurt Aland and Barbara Aland, "The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism", transl. Erroll F. Rhodes, William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan, 1995, p. 113.
Leitura recomendada
• Bernard Montfaucon, „Palaeographia Graeca", (Paris, 1708).
• G. Mucchio, "Studi italiani di filologia classica" 4, Index Codicum Bibliothecae no. 39 (Florence, 1896), pp. 7–184.
Ligações externas
• Codex Angelicus Lap (020): at the Encyclopedia of Textual Criticism.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Angelicus
Imagem: http://digilander.libero.it/gregduomocremona/angelica_123.htm
Codex Alexandrinus
O Codex Alexandrinus é um dos manuscritos bíblicos mais importantes da história do cristianismo. Ele pertence ao grupo dos chamados “quatro grandes códices”, que são as cópias mais antigas e completas da Bíblia em grego que sobreviveram. Sua importância está no fato de que ele preserva um estágio muito antigo do texto bíblico, anterior à padronização medieval.
Data de produção
O códice foi produzido aproximadamente entre 400 e 440 d.C., ou seja, no início do século V.
Essa data não está escrita no manuscrito. Ela é calculada por especialistas que analisam:
- o estilo da escrita (paleografia),
- o tipo de pergaminho usado,
- e comparações com outros manuscritos da mesma época.
Isso significa que não há uma data exata, mas sim uma estimativa muito bem fundamentada.
Onde foi produzido (origem)
A origem mais aceita é a cidade de Alexandria, no Egito.
Alexandria era um dos maiores centros intelectuais do mundo antigo, especialmente para estudos bíblicos e cópias da Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento).
No entanto, alguns estudiosos admitem que ele pode ter passado ou sido finalizado em Constantinopla, o grande centro do Império Bizantino.
👉 Em resumo:
- Origem provável: Egito (Alexandria)
- Possível circulação posterior: Constantinopla
Quem escreveu
O Codex Alexandrinus não tem autor conhecido.
Ele foi produzido por vários escribas profissionais, ou seja, não foi escrito por uma única pessoa.
Os estudiosos identificam isso porque:
- o estilo da letra muda levemente em diferentes partes,
- há variações na forma de escrever certas letras,
- e existem correções feitas por revisores posteriores.
Isso mostra que ele foi um grande projeto de cópia, provavelmente feito em um ambiente institucional (como um centro religioso ou scriptorium).
Como ele foi escrito
O texto foi escrito em:
- grego antigo (koiné),
- letras maiúsculas contínuas chamadas unciais,
- sem separação entre palavras como temos hoje.
Além disso, usa abreviações sagradas chamadas nomina sacra, como formas reduzidas para palavras como “Deus” e “Jesus”, indicando reverência ao texto.
Material e estrutura
O códice é feito de:
- pergaminho (pele de animal tratada) de alta qualidade.
Ele possui:
- cerca de 773 fólios (páginas duplas),
- texto em duas colunas por página,
- aproximadamente 50 linhas por coluna.
Esse formato mostra que ele era um manuscrito de grande custo e importância.
Onde foi encontrado e sua trajetória histórica
Diferente de outros manuscritos descobertos em escavações, o Codex Alexandrinus não foi “encontrado enterrado”.
Sua história é de preservação contínua:
- Circulou no mundo cristão oriental por séculos
- Estava em posse de autoridades eclesiásticas no Oriente
- No século XVII, estava com o patriarca Cirilo Lucaris
- Em 1627, foi oferecido ao rei Carlos I da Inglaterra
- Desde então, permaneceu na Inglaterra
- Sobreviveu a um incêndio em 1731 que destruiu parte de outros manuscritos
Ou seja: ele não foi descoberto como ruína, mas sim transferido historicamente até o Ocidente.
Onde está guardado hoje
Atualmente, o Codex Alexandrinus está preservado na:
British Library (Biblioteca Britânica), em Londres
Ele faz parte do acervo de manuscritos gregos antigos e é tratado como uma das peças mais valiosas da coleção.
Conteúdo do códice
O códice contém praticamente toda a Bíblia grega antiga:
Antigo Testamento
- Baseado na Septuaginta (versão grega do AT)
- Inclui livros que hoje são considerados deuterocanônicos
Novo Testamento
- Quase completo
- Algumas partes estão faltando devido ao desgaste do tempo
Textos adicionais (muito importante)
Inclui também livros que não fazem parte do Novo Testamento atual:
- 1 Clemente
- 2 Clemente
- Salmo 151
- 3 Macabeus
Isso mostra que, naquela época, o “cânon bíblico” ainda não estava totalmente fixado como hoje.
Características que o tornam único
Aqui está o que realmente distingue o Codex Alexandrinus dos outros códices antigos:
1. Mistura de tradições textuais
Ele não segue um único tipo de texto bíblico.
- Nos Evangelhos → aproxima-se do texto bizantino
- Em outras partes → segue tradição alexandrina
- Em alguns livros → mistura das duas tradições
Isso o torna um manuscrito “híbrido”, mostrando como o texto bíblico ainda estava em evolução.
2. Inclusão de livros extras
Ele contém textos adicionais como 1 e 2 Clemente.
Isso é extremamente importante porque mostra que, no século V, alguns cristãos ainda consideravam esses escritos como edificantes ou até quase canônicos.
3. Elementos decorativos
Diferente de outros códices antigos mais “simples”, ele possui:
- iniciais em tinta vermelha,
- letras destacadas no início dos livros,
- pequenos elementos ornamentais.
Isso indica que ele não era apenas funcional, mas também um manuscrito de prestígio.
4. Correções ao longo do tempo
O texto foi revisado por diferentes pessoas ao longo dos séculos.
Isso mostra que ele foi usado ativamente e não apenas guardado como peça estática.
5. Importância para o Antigo Testamento grego
Em muitos livros da Septuaginta, ele é um dos melhores manuscritos existentes.
Em alguns casos, ele é até mais importante que outros códices famosos.
Importância histórica
O Codex Alexandrinus é fundamental porque:
- ajuda a reconstruir o texto bíblico mais antigo possível,
- mostra como a Bíblia era transmitida antes da padronização,
- revela que o cânon bíblico ainda estava em formação,
- e é uma das principais bases da crítica textual moderna.
Resumo final
O Codex Alexandrinus não é apenas um livro antigo. Ele é um testemunho vivo de como a Bíblia foi transmitida, copiada e preservada durante os primeiros séculos do cristianismo, em um período em que o texto ainda estava em processo de consolidação.1883.Metzger, Bruce M.; Ehrman, Bart D. The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration. Oxford University Press.
Aland, Kurt; Aland, Barbara. The Text of the New Testament. Eerdmans.
Kenyon, Frederic G. Our Bible and the Ancient Manuscripts. Harper & Brothers.
Parker, D. C. An Introduction to the New Testament Manuscripts and Their Texts. Cambridge University Press.
Hurtado, Larry W. The Earliest Christian Artifacts: Manuscripts and Christian Origins. Eerdmans.
Scrivener, Frederick H. A. A Plain Introduction to the Criticism of the New Testament. George Bell & Sons.
Lake, Kirsopp; Lake, Silva. Studies and Facsimiles of Codex Alexandrinus.
Skeat, T. C. The Codex Sinaiticus, Codex Vaticanus and Codex Alexandrinus in the British Library.
Diringer, David. The Book Before Printing: Ancient, Medieval and Oriental. Dover Publications.
Roberts, Colin H. Manuscript, Society and Belief in Early Christian Egypt. Oxford University Press.
Turner, Eric G. Greek Manuscripts of the Ancient World. University of London.
Nestle-Aland. Novum Testamentum Graece (28ª edição). Deutsche Bibelgesellschaft.
United Bible Societies. The Greek New Testament (5th Revised Edition).
British Library. Manuscript Collections — Codex Alexandrinus. https://www.bl.uk/manuscripts
Center for the Study of New Testament Manuscripts (CSNTM). https://www.csntm.org
Institute for New Testament Textual Research (INTF). https://www.uni-muenster.de/INTF/
British Library Digitised Manuscripts. https://www.bl.uk/manuscripts/online-gallery
Imagem: http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Muratorian_fragment
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