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A Bíblia Curiosa reúne temas fascinantes relacionados à Bíblia, abordando sua origem, formação e autores. Além disso, traz artigos encontrados na internet, escritos pelo autor, e uma variedade de histórias e curiosidades que enriquecem nosso conhecimento. Essas experiências são fundamentais para fortalecer nossa fé e confiança em Deus. Aqui, você encontrará insights valiosos que podem transformar sua jornada espiritual. Desejamos a você uma ótima leitura!

21 setembro 2012

A Midia e a Espiritualidade



A INFLUÊNCIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Os meios de comunicação podem conduzir a atitudes e pensamentos contrários ao evangelho

RAEstamos na era das Telecomunicações. Até que ponto podemos ser influenciados pela mídia? Ela altera comportamentos?

VSL Mídia é a somatória dos meios de comunicação: rádio, TV, jornal, revista, outdoor, propagandas em geral, etc. ela é necessária a qualquer sociedade civilizada e não há como viver hoje sem estar envolvido com ela. A maneira como é utilizada, entretanto, nem sempre é de forma eticamente aceitável. Ela nos atinge passiva ou ativamente, positiva ou negativamente. E como vivemos em um mundo capitalista, que necessita de consumo para o crescimento e sobrevivência, a mídia é o veículo adequado para impulsionar o processo que tende a visualizar mais as coisas do que as pessoas.
 
Não é necessário ligar o aparelho para estar envolvido com a propaganda. Basta dirigir na cidade, que os outdoors estão lá de plantão, basta vestir um tênis que a marca está lá... e pior, na época da Copa de 98, apontar o indicador para cima já era fazer, inconscientemente, propaganda de cerveja.

Na propaganda, o que há de mais importante é ser o primeiro a chegar a sua mente e fazer de você um cliente. E se o elemento em questão é a mente, o assunto é realmente sério. As pessoas que lidam com a mídia sabem que o ser humano tem desejos, ansiedades, sonhos, e que, se relacionarem seus produtos a essas necessidades materiais (e mesmo espirituais), conseguirão consumidores em potencial.

Exemplo: “Kolinos, o gosto da vitória!” Não há vitória em Kolinos; há uma associação de um bem espiritual (vitória) com um bem material (creme dental). O fato de que o creme dental previne as cáries não é relevante para as pessoas, portanto, não se vende prevenção, vendem-se ilusões de realização.

Assim, podemos ser influenciados pela mídia porque ela entra em nossa mente sem pedir licença.

A propaganda privilegia o fracasso, a carência, a necessidade, porque sabe que uma pessoa realizada não necessita de consumo para se afirmar. O comportamento se molda a partir de impressões cristalizadas pelo tempo. Hábitos formados por sugestões da mídia podem facilmente alterar seus valores de forma inconsciente. Você não precisa decidir para que sua mente seja influenciada e aqui está a diferença entre a mídia e o evangelho, que é também comunicação por excelência. Para aceitar um novo comportamento cristão, você precisa tomar decisões conscientes. A mídia não pede licença para entrar em sua vida. Jesus, sim. Aquele que pregou a liberdade, Aquele que é a Liberdade em Pessoa diz: “Eis que estou à porta e bato, se você abrir...” Veja, “se você abrir”, Jesus não força; Ele quer alterar nosso comportamento também, mas com a nossa escolha, com a nossa decisão.

 RAOs pontos no IBOPE são o alvo dos meios de comunicação. Isso parece estar causando um rebaixamento da moral e dos bons costumes. Qual deve ser a postura do cristão diante disso?

VSL – Excetuando-se alguns poucos programas, ninguém faz TV por amor ao próximo (aliás, parece que não se faz mais quase nada por amor ao próximo). A programação é parte de uma máquina que visa dinheiro, muito dinheiro. Quanto mais qualidade se aplica, maior o preço cobrado. Um filme pode custar 200 milhões, como no caso do Titanic, mas o retorno é certo (e que retorno!). as propagandas podem custar milhares de reais por segundo em horários nobre e por que são tão caras? Simples, porque têm retorno. Portanto, se a opinião pública demonstra não apreciar certo produto, ele estará fora de circulação ou sofrerá significativas alterações (procedimento muito frequente em novelas). A arte imita a vida que imita os cofres dos produtores.

            Portanto, quando um produto não rende o esperado, ocorrem mudanças que, com toda certeza, não serão feitas com base no crescimento moral da população, mas nos índices do IBOPE. E para isso vale tudo: sexo, violência, etc.

            Há algum tempo, a rede OM de televisão (hoje, CNT) resolveu pôr um filme obsceno no ar. Várias sociedades protestaram: “Onde já se viu colocar pornografia na televisão!” A reação da Rede foi a mais previsível possível: “Estamos quase no século XXI e não há censura. Não gostam do filme? Vocês são livres, mudem de canal!” Por que é que a TV usa essa argumentação? Ironicamente, porque extraíram da Bíblia um conceito que, usado às avessas, conduz sua filosofia: “O bem que quero fazer, esse não faço; o mal que não quero fazer, esse faço.” Esse texto do apóstolo Paulo mostra a angústia que o homem passa quanto às suas intenções e seus atos. A psicologia da TV, portanto, é a seguinte: “o bom filme a que a sociedade gostaria de ver, a esse ela não vê; mas o mau filme, a baixaria que ela gostaria de evitar, a esse/essa ela vê. E se as pessoas assistem a esses programas, mesmo sem querer, dão-nos IBOPE; e é isso que nos interessa.”

RAComo os pais devem agir com os filhos em relação à TV? Censurar, simplesmente?

VSL – A concorrência é desleal. Pesquisas indicam que os pais gastam muito pouco tempo com os filhos por semana. Somos transformados ou moldados por aquilo que passamos mais tempo contemplando. O problema é que o televisor reveste a mensagem com uma beleza incomum, irreal. Tanto cria, como acaricia nossas necessidades e nosso ego para obter cada vez mais nossa atenção e aprovação; molda seus programas a essas necessidades e carências. E com as crianças não é diferente. E o pior é que para elas o bombardeamento se apresenta em suas piores cores. Elas são um tremendo mercado hoje e mais ainda, um mercado futuro em potencial.

            É sabido que o comportamento não se altera pela verdade científica. As pessoas não são transformadas pela verdade da ciência, mas pela beleza. A verdade exige decisão, tomada de atitude consciente. Quando uma criança está na frente do televisor, ela não precisa exercitar o poder de decisão. As mensagens já vêm decididas (não se iluda com o programa Você Decide; muita coisa vital já vem decidida). A beleza e graça das personagens que imitam a vida real são imbatíveis. É como a visita de um tio que dá presentes, beijinhos e sorvete, mas quem tem que punir os erros é o pai. A parte difícil da educação compete aos pais. Assim é com a TV: mostra só o “belo”, prende a atenção da garotada e os pais, que já dispõem de pouco tempo para a educação dos filhos, quando querem colocá-los nos trilhos, têm de apresentar a dolorida verdade. É óbvio que as crianças inconscientemente preferirão a Xuxa ou a Angélica; afinal, “elas não brigam com a gente”.

            Lembre-se: a batalha é vencida por aquele que chega primeiro à mente. Quem está ocupando o primeiro lugar na mente de seus filhos?

RA –
Há um conflito evidente entre o que os jovens ouvem nos cultos e os valores e costumes que lhes são transmitidos pela mídia. Como fica a mente deles diante disso?

VSL – Se cremos em tudo o que é dito na Igreja e aceitamos as lições extraídas da Bíblia, mas vivemos de forma oposta àquilo com que concordamos, estaremos criando uma diferença muito grande entre a teoria e a prática. Viveremos em constante estado de desarmonia interior; e esta divisão gera sofrimento. Isso é bíblico: “O homem de coração dobre é inconstante em todos seus caminhos.” Nossa vida parece estar segmentada em duas partes distintas: a espiritual, no sábado, e a material, que se inicia sábado à noite e vai até o pôr do sol de sexta.

James A. Shlemberg apresenta uma teoria chamada “Dissonância Cognitiva.” Essa teoria se divide em três partes: (1) você vive de acordo com o que crê, ou (2) você crê naquilo que vive. (3) Se você não viver de acordo com qualquer desses dois princípios, fatalmente perderá o equilíbrio mental.

Quem chega primeiro à nossa mente altera nossos hábitos. Quanto tempo dedico à Bíblia e à meditação? Se não dedico nada, meu testemunho será negativo, mesmo que eu não queira. Só minhas convicções não adiantam. Uma vez que minha vida é susceptível às influências, só posso testemunhar daquilo que acredito e vivo.

A mídia nos olha como consumidores, clientes, lucro em potencial. Até mesmo o

tão atual processo de Qualidade Total tem limites. Segundo a Bíblia. Temos que olhar o homem não como cliente, mas como nosso próximo.

RA  Uma vez que há uma flagrante diferença entre aquilo que a sociedade secular nos propõe e o caminho cristão, ser jovem adventista é ser “rebelde”?

VSL – Em certo sentido sim. Deus não muda; Seus princípios são eternos. Já a sociedade está em constante movimento, alterando suas normas de comportamento e, junto, está alterando também seus princípios morais. Aquilo que era errado, não é mais. Na sociedade, há sempre constante adaptação às necessidades de cada tempo, mesmo que para isso sejam sacrificadas algumas normas de conduta. “Como o homem veio do macaco,” – dizem – “a moral divina não importa.” A lei moral é uma “bela lenda.” E deve ser seguida com ressalvas, pois as necessidades dos tempos modernos nos obrigam a constantes adaptações. O problema é que a sociedade mudou tanto que obriga os seres humanos a se comportarem adaptando-se aos novos tempos. Temos que nos curvar aos apelos modernos para garantir a sobrevivência. Assim, adiamos muitas vezes nosso compromisso com o Céu, porque parece que seus apelos não se adaptam aos nossos dias. Curvamo-nos perante as exigências da sociedade, porém, quando o assunto é obediência a Deus, solicitamos que Ele nos entenda; afinal, “estamos bem intencionados”. “Trabalhei demais nesta semana para garantir minha sobrevivência e a de meus filhos, portanto, neste sábado não irei à Igreja. O motivo é justo e bom; Deus há de entender.”- pensamos. Assim, curvamo-nos perante os apelos do mundo e nos esquecemos de nos curvar perante os apelos de Deus, achando que Ele, em sua bondade, há de entender nossas “justas” necessidades”. Mas Deus não aceita que O coloquemos em segundo plano. “Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça”, é o que Ele diz.

Deus nos criou à Sua imagem e parece que o homem quer criar Deus à sua imagem e semelhança. É a criatura querendo fazer Deus se sujeitar às suas necessidades. Deus é bom, sim, e temos que seguir os Seus planos.

Os três jovens hebreus foram altamente rebeldes: “e fica sabendo, ó rei, que não nos curvaremos...” Paulo foi rebelde. Basta lembrarmos de onde suas cartas foram escritas: da prisão. Ele se rebelou por uma causa. Essa “rebeldia” é necessária hoje. Homens que não se comprem nem se vendam por sua natureza rebeldes em relação às causas injustas.        


Fonte: Revista Adventista

20 agosto 2012

O Pastor

Quando um pastor finalmente recupera a sua ovelha insignificante, tola e errante, ele não a repreende imediatamente ou a espanca por ter lhe causado tantos problemas e trabalho adicional. Não! O pastor observa como é grande o cansaço daquela ovelha, como esteve perdida por entre espinhos e cortou-se no meio das pedras, olha ternamente para suas feridas e a carrega de volta para o rebanho em seus próprios braços.

Miserável e vacilante pecador, o evangelho tem chegado intensamente sobre você e você não pode mais correr adentrando nos caminhos do pecado, a Graça parou a sua carreira insana e fez você estremecer com a culpa do pecado. Você tem medo de Jesus porque sabe como o tem afligido severamente. Você teme que Ele te censure severamente e talvez te despreze e expulse de Sua presença. Não pense isso do Bom Pastor! Ele está olhando agora para o sangue em suas feridas e preparando o curativo. Logo ele irá se compadecer de suas fraquezas e te carregar nos braços dEle. Confiai a Ele, miserável pecador, como a insignificante ovelha confia no pastor. Um homem é muito mais precioso do que uma ovelha e Jesus é muito mais gentil do que o mais cuidadoso pastor e é realmente amável aos pecadores que se achegam a Ele. Quando o filho pródigo chegou todo esfarrapado e sujo seu pai amoroso não o colocou em quarentena até que ele estivesse purificado e limpo. Ele pulou sobre seu pescoço e o beijou sem ao menos dizer uma palavra de repreensão. O filho pródigo veio direto do curral para os braços do Pai. Aquele pródigo acolhido é o tipo de pecador como você é. À você também são todos os beijos e não o olhar carrancudo, todo o amor e não a ira, toda a benevolência e não a severidade. Oh! Se você conhecesse o Salvador você não se atrasaria. Agora, misero e abatido pecador, confie no Senhor Jesus e viva. Ele nunca tratou um filho pródigo que retorna com aspereza e Ele não pode mudar, Ele irá te tratar da mesma forma generosa com que trata os outros filhos. Quer você confie nEle ou não – eu irei – eu confio. Misero pecador, que o Espirito Santo guie teu olhar para Jesus e viva.

Charles H. Spurgeon

FONTE: http://respirandodeus.blogspot.com.br/2010/07/o-pastor.html
Imagem: http://blogdopcamaral.blogspot.com.br/2012/04/ovelhas-ne.html
Spurgeon.org
tradução: Vitor Higo Cid

27 junho 2012

Como se Livrar de um Pastor Fraco


Um grupo de crentes procurou o pastor de uma outra igreja, numa cidade vizinha, e perguntou-lhe:


- Pastor, estamos tentando achar um jeito diplomático de dispensar o nosso pastor. O senhor tem alguma sugestão de como podemos fazer isso sem sermos indelicados com ele?

- Mas, por que vocês querem se livrar dele?

- É que a nossa igreja está estagnada e infeliz. O nosso pastor não tem visão nem liderança, não sabe pregar e não é um homem de oração.

Após refletir uns instantes, o pastor aconselhou-os a agir da seguinte maneira:

a) Cada vez que ele pregar, recitem para ele os pontos do sermão, na saída do culto. Isso vai obrigá-lo a se preparar cada vez mais, pois agora ele sabe que vocês estão acompanhado atentamente as suas mensagens.

b) Cada vez que ele trouxer uma nova idéia, dêem a ele todo o apoio de que a sua idéia precisa para dar certo. E faça isso com entusiasmo. Em breve a sua visão vai se abrir, pois agora ele sabe que pode "sonhar", pois tem o apoio entusiástico da igreja.

c) Reunam um bom grupo de irmãos e comecem a orar por ele. Em breve ele vai estar orando com vocês e por vocês.

- Logo, logo, assim que ele estiver pregando melhor, tiver adquirido ampla visão de ministério e vida de oração, uma grande igreja o convidará e tirará ele de vocês.

28 maio 2012

Quando os anjos se alegram




LINDO TESTEMUNHO DO SR. PERSONA

Fonte: youtube

Fatos Fantásticos da Bíblia: Conheça a Complicada História de Sansão


Os Filisteus

Os filisteus, no período de Sansão, eram um dos principais povos em conflito com os israelitas e exerciam forte influência na região costeira do sul de Canaã, especialmente na faixa conhecida como Pentápolis Filisteia, formada por cidades como Gaza, Asdode, Ascalom, Gate e Ecrom.

Eles eram um povo de origem possivelmente ligada aos chamados “povos do mar”, que se estabeleceram na região por volta do século XII a.C. Diferente dos israelitas, que viviam em aldeias e zonas mais rurais do interior, os filisteus eram altamente urbanizados, organizados em cidades-estados bem estruturadas, cada uma governada por seus próprios líderes.

Um dos aspectos mais marcantes dos filisteus era seu avanço tecnológico para a época, especialmente no trabalho com o ferro. Enquanto os israelitas ainda dependiam amplamente de ferramentas de bronze, os filisteus já dominavam a metalurgia do ferro, o que lhes dava vantagem militar significativa em batalhas e na produção de armas.

Essa superioridade bélica ajudou a consolidar seu domínio sobre várias regiões de Israel durante o período dos juízes, criando uma situação de opressão constante. A narrativa bíblica descreve esse período como um tempo em que “os filisteus dominavam Israel por quarenta anos”, o que explica o contexto de conflito contínuo em que Sansão foi levantado.

Religiosamente, os filisteus eram politeístas e cultuavam deuses como Dagom, associado à fertilidade e ao grão, além de outras divindades ligadas à guerra e prosperidade. O templo de Dagom, citado no final da história de Sansão, era um dos centros religiosos importantes desse povo, funcionando também como espaço político e social.

Além disso, os filisteus eram estrategicamente organizados em alianças entre suas cidades, o que lhes permitia coordenar campanhas militares e resistir aos ataques de povos vizinhos. Isso os tornava um inimigo formidável para Israel, que ainda estava em processo de formação como nação unificada.

Dentro da narrativa de Sansão, eles aparecem não apenas como inimigos militares, mas também como um povo com forte identidade cultural, capaz de influenciar costumes, relações sociais e até conflitos pessoais, como no caso de seus relacionamentos com mulheres filisteias, que tiveram papel decisivo em sua história.

Em resumo, os filisteus da época de Sansão representavam uma potência regional organizada, tecnologicamente avançada para o contexto da Idade do Ferro inicial e politicamente estruturada em cidades independentes, o que explica por que o conflito entre eles e Israel foi tão intenso e duradouro.

A História de Sansão

A história de Sansão é uma das narrativas mais marcantes do livro de Juízes (capítulos 13 a 16), em um período em que Israel vivia um ciclo repetido de afastamento de Deus, opressão por povos inimigos e libertações realizadas por líderes chamados juízes.

Sansão foi um desses juízes, levantado por Deus em um tempo de grande crise espiritual e política, quando os filisteus dominavam parte de Israel.

O nascimento prometido

Em meio à opressão, um homem chamado Manoá, da tribo de Dã, e sua esposa — que era estéril — receberam a visita do Anjo do Senhor. A mensagem foi extraordinária: ela teria um filho, e esse menino seria separado por Deus desde o ventre materno.

Foi anunciado que ele deveria viver como nazireu, uma consagração especial que incluía não beber vinho ou bebida fermentada, não tocar em cadáveres e nunca cortar o cabelo. Essa consagração simbolizava separação e dedicação total a Deus.

O menino nasceu e recebeu o nome de Sansão. Desde cedo, “o Espírito do Senhor começou a agir nele”, indicando que sua vida seria marcada por uma força sobrenatural e uma missão específica contra os filisteus.

O início da força e os primeiros conflitos

Ao crescer, Sansão começou a demonstrar uma força extraordinária. Em uma de suas viagens, foi atacado por um leão, e, sem armas, o despedaçou com as próprias mãos — um dos primeiros sinais de sua força incomum.

Mais tarde, ele se envolveu com uma mulher filisteia, o que gerou tensões entre ele e esse povo. Durante a festa de casamento, propôs um enigma aos convidados. Incapazes de resolvê-lo, os filisteus pressionaram sua esposa, que revelou a resposta. Isso levou Sansão a um ato de vingança violento, marcando o início de uma série de confrontos diretos contra os filisteus.

Em outra ocasião, ele capturou trezentas raposas, amarrou tochas em suas caudas e as soltou nas plantações inimigas, destruindo as colheitas e provocando grande retaliação.

Conflitos crescentes e feitos impressionantes

A violência entre Sansão e os filisteus aumentou progressivamente. Após a morte de sua esposa e de seu sogro pelos filisteus, ele respondeu com ainda mais ataques.

Em um episódio posterior, Sansão foi capturado por homens de Judá, que o entregaram aos filisteus para evitar represálias. Porém, quando chegou ao inimigo, o Espírito do Senhor se apoderou dele, e ele rompeu as cordas que o prendiam.

Encontrando uma queixada de jumento, derrotou mil homens, mostrando novamente sua força extraordinária.

Depois disso, exausto e sedento, clamou a Deus, e milagrosamente surgiu água de uma rocha, sustentando sua vida.

Em outra ocasião, em Gaza, foi cercado por inimigos durante a noite. Sansão arrancou as portas da cidade com seus batentes e as carregou até o topo de uma colina, demonstrando humilhação total ao sistema de segurança filisteu.

Dalila e a queda de Sansão

O ponto mais conhecido de sua história envolve Dalila, mulher usada pelos líderes filisteus para descobrir a origem de sua força.

Ela insistiu várias vezes para que Sansão revelasse seu segredo. Ele a enganou inicialmente, mas, com o tempo, sua insistência o desgastou.

Por fim, Sansão revelou que sua força estava ligada ao seu voto de nazireu e ao fato de nunca ter tido seu cabelo cortado.

Enquanto ele dormia, Dalila mandou cortar seu cabelo. Nesse momento, segundo o texto bíblico, o Senhor se retirou dele, e sua força o abandonou.

Sansão foi capturado, teve os olhos furados e passou a ser escravo dos filisteus.

O templo de Dagom e o fim de Sansão

Com o tempo, o cabelo de Sansão começou a crescer novamente, enquanto ele permanecia preso e humilhado.

Durante uma grande celebração no templo do deus Dagom, os filisteus o trouxeram para ser ridicularizado diante da multidão.

Cego e enfraquecido, Sansão pediu a Deus uma última oportunidade de força.

Colocado entre as duas colunas principais do templo, ele as empurrou com toda sua força, fazendo a estrutura desabar. O templo ruiu, matando Sansão e milhares de filisteus reunidos ali.

Assim, segundo a narrativa bíblica, Sansão matou mais inimigos em sua morte do que em toda a sua vida.

A lição da história de Sansão

A vida de Sansão revela a tensão entre chamado divino e escolhas humanas. Ele foi separado por Deus desde o nascimento, dotado de força extraordinária e chamado para libertar Israel, mas muitas vezes agiu movido por impulsos, paixões e decisões precipitadas.

Sua história mostra que dons espirituais não substituem caráter, disciplina e obediência. Ao mesmo tempo, revela que, mesmo após falhas graves, ainda há espaço para arrependimento e para o agir de Deus.

A principal lição é que a verdadeira força não está apenas no poder físico ou em capacidades extraordinárias, mas na dependência de Deus, na fidelidade ao propósito e na sabedoria para permanecer firme diante das tentações.


Imagem: chatgpt

Referências Bibliográficas

  • BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
  • BÍBLIA DE ESTUDO NVI. São Paulo: Editora Vida.
  • BÍBLIA DE ESTUDO ARQUEOLÓGICA NVI. São Paulo: Editora Vida.
  • HENRY, Matthew. Comentário Bíblico de Matthew Henry. Rio de Janeiro: CPAD.
  • MACARTHUR, John. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
  • LOPES, Hernandes Dias. Juízes: O povo, seus juízes e seu Deus. São Paulo: Hagnos.
  • CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos.
  • KEIL, Carl Friedrich; DELITZSCH, Franz. Comentário do Antigo Testamento. Peabody: Hendrickson Publishers.
  • JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD.
  • ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento. São Paulo: Vida.

15 maio 2012

Os Lecionários

Livros Litúrgicos

Outra testemunha do texto do Novo Testamento que em geral tem sido subvalorizada são os numerosos lecionários (livros usados no culto da igreja), que continham textos selecionados para leitura, tirados da própria Bíblia. Esses lecionários serviam de manuais, sendo usados nos cultos ao longo de um ano. A maior parte desses manuais teria surgido talvez entre os séculos VII e XII, e deles sobreviveram dezenas de folhas e fragmentos de folhas, datados dos séculos iv e vi. Só cinco ou seis lecionários sobreviveram intactos, copiados em papiro, com letras unciais, ainda que essas houvessem sido substituídas pelo tipo de grafia denominado minúsculo.

Embora Caspar René Gregory houvesse relacionado cerca de 1 545 lecionários gregos, em seu Canon and text of the New Testament [Cânon e texto do Novo Testamento] (1912), cerca de 2 000 foram utilizados na obra crítica da United Bible Societies [Sociedades Bíblicas Unidas], The Greek New Testament (1966). A grande maioria dos lecionados consiste de textos para leitura tomados dos evangelhos. Os demais consistem de textos de Atos, às vezes ao lado de trechos das cartas. Ainda que fossem ornamentados com muita elaboração e às vezes até contivessem notações musicais, é preciso que se admita que os lecionários têm apenas valor secundário no estabelecimento do texto genuíno do Novo Testamento, No entanto, desempenham papel importante na compreensão de passagens específicas das Escrituras, como João 7.53— 8.11 e Marcos 16.9-20.(ide fonte no final do blog)

Estudos do Autor

Os lecionários são coleções de passagens selecionadas das Escrituras que são designadas para serem lidas durante os serviços religiosos, especialmente nas celebrações litúrgicas cristãs. Eles são organizados de forma a proporcionar uma sequência de leituras ao longo do ano litúrgico, geralmente seguindo um ciclo anual.

Importância dos Lecionários para a Formação da Bíblia:

  1. Preservação e Transmissão Textual:

    • Os lecionários ajudaram na preservação e transmissão dos textos bíblicos ao longo dos séculos, pois muitas vezes incluem passagens completas ou parciais das Escrituras. Isso é especialmente relevante porque algumas cópias individuais dos livros bíblicos podem ter se perdido ao longo do tempo, mas as leituras litúrgicas continuaram a garantir a exposição regular dos textos sagrados.
  2. Padrões de Leitura e Uso Litúrgico:

    • Os lecionários estabelecem padrões para quais partes da Bíblia são lidas em diferentes períodos litúrgicos, como Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, entre outros. Isso influencia a prática e a adoração da comunidade cristã ao longo do ano, proporcionando um contexto específico para a interpretação e reflexão das Escrituras.
  3. Seleção de Passagens Significativas:

    • A seleção cuidadosa das passagens nos lecionários enfatiza temas e eventos-chave da fé cristã, como a vida de Jesus, sua morte e ressurreição, e a mensagem dos apóstolos. Isso ajuda a moldar a compreensão teológica e espiritual da comunidade cristã através da repetição e contemplação regular das mesmas passagens ao longo dos anos.
  4. Influência na Liturgia e na Teologia:

    • Os lecionários não apenas influenciam a prática litúrgica, mas também contribuem para o desenvolvimento da teologia cristã ao enfatizar certos temas, relações simbólicas e a conexão entre o Antigo e o Novo Testamento. Eles ajudam a manter a coesão e a continuidade na interpretação das Escrituras dentro da tradição cristã.

Em resumo, os lecionários desempenham um papel fundamental na formação da Bíblia como um texto sagrado que não apenas é lido e estudado, mas também é vivenciado e celebrado na vida litúrgica da igreja. Eles são uma parte vital da herança textual e espiritual cristã, conectando gerações ao redor do mundo através da leitura e reflexão das Escrituras durante o culto e celebração.


Fonte: Como a Biblia chegou até nós, autor Norman Geisler e William Nix
Imagem: http://angelusexverum.blogspot.com.br/2011/03/lecionario-jaharis.html

Óstracos


















Cacos de Cerâmica

Os óstracos são cacos de cerâmica freqüentemente utilizados como material de escrita entre as classes mais pobres da antigüidade. Exemplo do uso desse meio de escrita é uma cópia dos evangelhos registrados em vinte peças de óstracos. Seriam o que se poderia chamar "a Bíblia do pobre".

Essas peças de cerâmica (v. Is 45.9) permaneceram negligenciadas pelos estudiosos durante muito tempo, mas haveriam de lançar mais luz ao texto bíblico. Allen P. Wikgren relacionou cerca de 1 624 amostras desses humildes registros da história, em sua obra intitulada Greek ostraca [Óstracos gregos].1(vide fonte)

Os ostracos com fragmentos da época bíblica

A BÍBLIA é a inspirada Palavra de Deus. (2 Timóteo 3:16) O que ela diz sobre pessoas, lugares e situações religiosas e políticas dos tempos antigos é exato. A autenticidade das Escrituras certamente não depende de descobertas arqueológicas, embora tais descobertas confirmem ou esclareçam nosso entendimento do registro bíblico.

Os itens encontrados em maior quantidade nas escavações em antigos sítios arqueológicos são fragmentos ou pedaços de cerâmica. Esses fragmentos são também chamados de óstracos, da palavra grega para “concha, caco”. Pedaços de cerâmica eram usados como material de escrita barato em muitos lugares do Oriente Médio antigo, incluindo o Egito e a Mesopotâmia. Óstracos eram usados para registrar contratos, relatórios contábeis, vendas, e assim por diante, do mesmo modo como hoje se usam blocos de anotações e folhas de papel. Geralmente escritos a tinta, os textos nos óstracos variavam de apenas uma palavra a muitas dezenas de linhas ou colunas.

Escavações arqueológicas em Israel já descobriram muitos óstracos dos tempos bíblicos. Três coleções, datadas do sétimo e oitavo séculos AEC, são de especial interesse, pois confirmam vários detalhes das informações históricas contidas na Bíblia. São as coleções de óstracos de Samaria, de Arade e de Laquis. Vamos conhecer melhor cada uma dessas coleções.

 Os óstracos de Samaria

Samaria foi a capital do reino setentrional de Israel, composto por dez tribos, até sua queda para os assírios em 740 AEC. Segundo 1 Reis 16:23, 24, no trigésimo primeiro ano do reinado de Asa, rei de Judá (por volta de 947 AEC), Onri adquiriu o monte de Samaria de Semer por dois talentos de prata e fundou a cidade que levaria seu nome. A cidade continuou a existir até a era romana, quando foi renomeada para Sebaste, desaparecendo finalmente como cidade no sexto século EC.

Durante escavações em Samaria em 1910, arqueólogos descobriram uma coleção de óstracos datados do oitavo século AEC. Esses óstracos registravam carregamentos de óleo e vinho que chegavam a Samaria de várias localidades vizinhas. Comentando essa descoberta, o livro "Ancient Inscriptions—Voices From the Biblical World" descreve os 63 óstracos encontrados como um dos conjuntos mais importantes de inscrições antigas de Israel que sobreviveram. Sua importância não reside apenas no conteúdo, mas também no extenso inventário de nomes de israelitas, clãs e locais geográficos. Como esses nomes confirmam os detalhes do registro bíblico?

Quando os israelitas conquistaram a Terra Prometida e a dividiram entre as tribos, a região de Samaria foi atribuída à tribo de Manassés. Conforme Josué 17:1-6, os descendentes de Manassés, através de seu neto Gileade, receberam lotes de terra nessa área. Entre eles estavam os clãs de Abiezer, Heleque, Asriel, Siquém e Semida. Hefer, o sexto na lista, não teve filhos homens, mas cinco filhas: Maala, Noa, Hogla, Milca e Tirza, cada uma recebendo uma parte de terra (Números 27:1-7).

Os óstracos de Samaria preservam sete desses nomes de clã — os cinco filhos de Gileade e duas netas de Hefer, Hogla e Noa. De acordo com a NIV Archaeological Study Bible, "Os nomes de clã preservados nos óstracos de Samaria estabelecem uma conexão adicional, além do que está registrado na Bíblia, entre os clãs de Manassés e o território onde se estabeleceram". Assim, esses óstracos confirmam aspectos da história antiga das tribos de Israel conforme registrados na Bíblia.

Além disso, os óstracos de Samaria lançam luz sobre a situação religiosa dos israelitas na época, conforme descrita na Bíblia. Durante o período dos óstracos de Samaria, os israelitas frequentemente misturavam a adoração de Jeová com a adoração do deus cananeu Baal. A profecia de Oséias, do mesmo período, previa um tempo em que Israel, arrependido, chamaria Jeová de "meu esposo" ao invés de "meu baal" (Oséias 2:16, 17, nota). Alguns nomes encontrados nos óstracos de Samaria significam "Baal é meu pai", "Baal canta", "Baal é forte", "Baal se lembra" e similares. A proporção de nomes pessoais contendo alguma forma de "Jeová" é menor em comparação aos que contêm "Baal".

Os óstracos de Arade

Arade era uma antiga cidade localizada numa região semi-árida chamada Negebe, ao sul de Jerusalém. Durante as escavações em Arade, foram reveladas seis fortalezas israelitas consecutivas, desde os dias do reinado de Salomão (1037-998 AEC) até a destruição de Jerusalém pelos babilônios em 607 AEC. Os escavadores recuperaram de Arade a maior coleção de óstracos dos tempos bíblicos, incluindo mais de 200 objetos com inscrições em hebraico, aramaico e outros idiomas.

Alguns dos fragmentos de Arade corroboram as informações bíblicas sobre famílias sacerdotais. Por exemplo, um deles menciona “os filhos de Corá”, referidos em Êxodo 6:24 e Números 26:11. Os cabeçalhos dos Salmos 42, 44-49, 84, 85, 87 e 88 atribuem esses salmos especificamente aos “filhos de Corá”. Outras famílias sacerdotais mencionadas nos óstracos de Arade incluem as de Pasur e Meremote, conforme registrado em 1 Crônicas 9:12 e Esdras 8:33.

Um exemplo notável é um fragmento de cerâmica encontrado nas ruínas de uma fortaleza, datando do período pouco antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios. O fragmento era endereçado ao comandante da fortaleza e, de acordo com a publicação The Context of Scripture, incluía a expressão: “A meu senhor Eliasibe. Que Iavé [Jeová] se preocupe com teu bem-estar... A respeito do assunto sobre o qual me deste ordens: está tudo bem agora; ele permanece no templo de Iavé.” Muitos estudiosos acreditam que este templo se refere ao de Jerusalém, originalmente construído nos dias de Salomão.

Os óstracos de Laquis

A antiga cidade-fortaleza de Laquis situava-se aproximadamente a 45 quilômetros a sudoeste de Jerusalém. Em escavações realizadas em 1930, foi descoberto um conjunto de fragmentos, dos quais pelo menos 12 eram cartas descritas como “extremamente importantes... por sua explicação da situação política e do tumulto geral que prevalecia enquanto Judá se preparava para o inevitável ataque do rei babilônio Nabucodonosor”.

As cartas mais significativas incluem correspondência entre um oficial subordinado e Yaosh, provavelmente o comandante militar em Laquis. A linguagem dessas cartas é similar à usada pelo profeta contemporâneo Jeremias. Considere como duas delas corroboram a descrição bíblica desse período crítico.

Jeremias 34:7 descreve o tempo em que “as forças militares do rei de Babilônia lutavam contra Jerusalém e contra todas as cidades de Judá que sobravam, contra Laquis e contra Azeca; porque elas, as cidades fortificadas, eram as que restavam dentre as cidades de Judá”. Uma das Cartas de Laquis parece descrever os mesmos eventos, mencionando: “Estamos atentos aos sinais [de fogo] de Laquis... porque não podemos ver Azeca.” Muitos estudiosos interpretam isso como indicação de que Azeca havia caído perante os babilônios e que Laquis seria a próxima a ser conquistada. Um detalhe interessante é a referência aos “sinais de fogo”, mencionados também em Jeremias 6:1.

Outra Carta de Laquis parece confirmar o que os profetas Jeremias e Ezequiel disseram sobre os esforços do rei de Judá para obter ajuda do Egito na rebelião contra Babilônia. A carta menciona: “Agora seu servo recebeu a seguinte informação: o general Konyáhu, filho de Elnatã, foi para o sul a fim de entrar no Egito.” Essa ação é frequentemente interpretada como um esforço para buscar assistência militar do Egito, conforme descrito por Jeremias 37:5-8; 46:25, 26 e Ezequiel 17:15-17.

Os óstracos de Laquis também mencionam vários nomes que aparecem no livro de Jeremias, como Nerias, Jaazanias, Gemarias, Elnatã e Osaías (Jeremias 32:12; 35:3; 36:10, 12; 42:1). Embora não se possa afirmar com certeza se esses nomes se referem às mesmas pessoas, a similaridade é notável, considerando que Jeremias viveu nesse período.

Um aspecto comum

As coleções de óstracos de Samaria, Arade e Laquis confirmam vários detalhes do registro bíblico, incluindo nomes de famílias, designações geográficas e aspectos do contexto religioso e político da época. No entanto, há um importante aspecto em comum entre as três coleções.

As cartas encontradas nas coleções de Arade e Laquis frequentemente incluem expressões como “Que Jeová peça a tua paz”. Em sete das mensagens de Laquis, o nome de Deus é mencionado 11 vezes. Além disso, muitos dos nomes pessoais hebreus encontrados nas três coleções contêm a forma abreviada do nome Jeová. Assim, esses óstracos confirmam que o nome divino era usado no dia-a-dia entre os israelitas daquela época.(vide fonte 2)

Fonte: 1. Como a Biblia chegou até nós, autor Norman Geisler e William Nix
2.https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2007843
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93straco

Os Minúsculos


As datas dos manuscritos minúsculos (do século IX ao XV) mostram que em geral são de qualidade inferior, se comparados aos manuscritos em papiros ou unciais. A importância desses manuscritos está no relevo dispensado às famílias textuais e não à sua quantidade. Somam 4 643, dos quais 2646 são manuscritos e 1997 lecionários (livros antigos que a igreja usava no culto). Alguns desses manuscritos minúsculos mais importantes estão identificados abaixo.

Os minúsculos da família alexandrina são representados pelo ms. 33, "rei dos cursivos", datado do século IX ou X. Contém todo o Novo Testamento, menos o Apocalipse. É propriedade da Biblioteca Nacional de Paris.

O texto cesareense emprega um tipo que sobreviveu na Família 1, dentre os manuscritos minúsculos. Essa família contém os manuscritos 1, 118,131 e 209, e todos datam do século XII até o XIV.

A subfamília italiana do tipo cesareense é representada por cerca de doze manuscritos conhecidos por Família 13. Tais manuscritos haviam sido copiados entre os séculos XI e XV. Incluem os manuscritos 13,69,124, 230, 346, 543, 788, 826, 828, 983, 1689 e 1709. Julgava-se de início que alguns desses manuscritos tinham texto de tipo sírio.

Muitos dos demais manuscritos minúsculos podem ser colocados em uma ou outra das várias famílias textuais, mas sustentam-se por seus próprios méritos e não por pertencerem a uma das famílias de manuscritos mencionadas acima. Entretanto, no todo, foram copiados de manuscritos minúsculos ou manuscritos unciais primitivos, e poucas evidências novas acrescentam ao Novo Testamento. Proporcionam uma linha contínua de transmissão do texto bíblico, enquanto os manuscritos de outras obras clássicas apresentam brechas de novecentos a mil anos entre os autógrafos e suas cópias manuscritas, como se pode ver nos exemplos das Guerras gálicas, de César, e das Obras, de Tácito.

Características

Os "manuscritos minúsculos" referem-se a uma categoria específica de manuscritos antigos, principalmente do Novo Testamento grego. Aqui estão algumas informações sobre eles:

1.    Definição e Características: Os manuscritos minúsculos são manuscritos do Novo Testamento que são numerados com algarismos arábicos menores que 2000. Eles são assim chamados para distingui-los dos "manuscritos unciais", que são escritos com letras maiúsculas.

2.    Idade e Datamento: Os manuscritos minúsculos geralmente datam do nono século em diante. Eles foram produzidos após a transição da escrita uncial para a minúscula no mundo grego e bizantino.

3.    Variedade e Distribuição: Existem cerca de 2750 manuscritos minúsculos conhecidos, cobrindo uma ampla gama de variantes textuais do Novo Testamento. Eles foram copiados e usados em várias regiões do mundo cristão oriental e ocidental.

4.    Importância para a Crítica Textual: Os manuscritos minúsculos são fundamentais para a crítica textual do Novo Testamento, pois fornecem uma base extensa para estudar as variantes textuais e reconstruir o texto original. Muitos deles contêm correções e anotações marginais que são valiosas para entender como o texto foi interpretado e usado ao longo do tempo.

5.    Exemplos Notáveis: Alguns manuscritos minúsculos famosos incluem o 33 (Minúscula 33), conhecido como "Codex Athous Lavrensis", que é um dos mais antigos manuscritos minúsculos completos do Novo Testamento (século IX); e o 1739 (Minúscula 1739), um manuscrito minúsculo grego do Novo Testamento que contém várias adições únicas e variantes textuais interessantes.

6.    Estudos e Recursos: Para estudiosos e pesquisadores, os manuscritos minúsculos são frequentemente acessados por meio de edições críticas do Novo Testamento grego, como o Novum Testamentum Graece (NA28, NA29) e o UBS5, que apresentam variantes textuais e a base manuscrita para cada passagem.

Esses manuscritos representam uma parte crucial da tradição textual do Novo Testamento e são fundamentais para entender a história e o desenvolvimento do texto bíblico cristão ao longo dos séculos.



Fonte: Como a Biblia chegou até nós, autor Norman Geisler e William Nix
Imagem: http://miquels007.wordpress.com/category/historia-crista/

Códex Washingtoniano - também conhecido como Codex W ou Codex Freerianus




























O Códex Washingtoniano (também conhecido como Codex W ou Codex Freerianus) é um antigo manuscrito do Novo Testamento em grego, datado do início do século IV d.C. Ele recebe esse nome por estar localizado na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington D.C.

Características Principais:

  1. Conteúdo: O Codex Washingtoniano contém quatro evangelhos completos (Mateus, Marcos, Lucas e João), além de algumas lacunas e partes faltantes.

  2. Formato: Escrito em letras unciais (maiúsculas gregas) em pergaminho, o manuscrito tem um formato relativamente grande.

  3. Origem: A origem exata do Codex Washingtoniano não é totalmente clara, mas é amplamente aceito que foi escrito no Egito, provavelmente na região de Alexandria, conhecida por sua tradição textual rica e variada.

  4. História: Foi descoberto em 1906-1907 por Charles Lang Freer, um colecionador de arte e manuscritos antigos, durante uma expedição ao Egito. Freer adquiriu o manuscrito e eventualmente o doou para a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos em 1906.

  5. Importância: O Codex Washingtoniano é importante para os estudos do Novo Testamento por ser um dos poucos manuscritos completos dos evangelhos do século IV. Ele ajuda na compreensão da transmissão textual e das variantes textuais no início da era cristã.

  6. Crítica Textual: O texto do Codex Washingtoniano é significativo para a crítica textual do Novo Testamento, pois oferece uma das primeiras evidências completas dos evangelhos em grego, auxiliando os estudiosos na reconstrução do texto original e na comparação com outros manuscritos da mesma época.

Em resumo, o Codex Washingtoniano é um dos tesouros da coleção de manuscritos antigos da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, representando uma importante fonte para os estudos acadêmicos e críticos do Novo Testamento.O Códice washingtoniano(w) data do século IV ou início do V.

Como foi descoberto

Charles F. Freer, de Detroit, em 1906, o havia adquirido de um negociante do Cairo, no Egito. Entre 1910 e 1918 foi editado pelo professor H. A. Sanders, da Universidade de Michigan, estando hoje na Instituição Smithsoniana, em Washington, DC. Esse manuscrito contém os quatro evangelhos, porções das epístolas de Paulo (exceto Romanos), Hebreus, Deuteronômio, Josué e Salmos. A ordem dos evangelhos é: Mateus, João, Lucas e Marcos. Marcos contém o final mais longo (Mc 16.9-20); entretanto, acrescenta uma inserção após o versículo 14. E um códice volumoso, feito de velino, cujos tipos de letras são misturados de modo curioso.

Fonte: Como a Biblia chegou até nós, autor Norman Geisler e William Nix
Imagem: http://www.asia.si.edu/collections/zoomObject.cfm?ObjectId=48653


O Códice efraimita (c) provavelmente se originou na Alexandria, no Egito, por volta de 345. Foi levado à Itália ao redor de 1500 por John Lascaris e depois vendido a Pietro Strozzi. Catarina de Mediei, italiana, mãe e esposa de reis franceses, o comprou em 1533. Após sua morte, o manuscrito foi colocado na Biblioteca Nacional de Paris, onde permanece até hoje. Falta a esse códice a maior parte do Antigo Testamento, constando dele partes de Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos dos Cânticos e dois livros apócrifos — Sabedoria de Salomão e Eclesiástico. Ao Novo Testamento faltam 2Tessalonicenses, 2João e parte de outros livros.

O manuscrito é um palimpsesto (raspado, apagado) reescrito em que originariamente estavam gravados o Antigo e o Novo Testamento. O texto sagrado foi apagado para que nesses pergaminhos se escrevessem sermões de Efraim, pai da igreja do século IV. Mediante reativação química, o conde Tischendorf foi capaz de decifrar as escritas quase invisíveis dos pergaminhos. Esse manuscrito está guardado na Biblioteca Nacional de Paris, e deixa à mostra sinais e evidências de duas fases de correções: a primeira, c2 ou cb, foi realizada na Palestina, no século vi, e a segunda, c3 ou Cc, foi acrescentada no século IX, em Constantinopla.

Fonte: Como a Biblia chegou até nós, autor Norman Geisler e William Nix

Codex Basilensis

O Codex Basilensis, também conhecido como Manuscrito Ee ou 07 (Gregory-Aland), ε 55 (von Soden), pertence provavelmente do século século VIII.

Descoberta

Codex contém o texto dos quatro Evangelhos em 318 folhas de pergaminho, com lacunas (Lucas 1,69-2,4; 3,4-15; 12,58-13,12; 15,8-20; 24,47-fin). O texto está escrito em uma coluna por página, em 21 linhas por página.[1]

Contém tábulas do κεφαλαια, κεφαλαια, τιτλοι, as Seções Amonianas, e os Cânones Eusebianos.[2]

Atualmente acha-se no Universidade de Basiléia (AN III 12).[1]

Texto

O texto grego desse códice é um representante do Texto-tipo Bizantino. Aland colocou-o na Categoria V.[1]

Referências

1. ↑ a b c ALAND & ALAND, Kurt & Barbara. The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism: Trad. por Erroll F. Rhodes (em inglês). Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1995. 110 p.
2. ↑ GREGORY, Caspar René. Textkritik des Neuen Testaments, Vol. 1. Leipzig: Hinrichs, 1900. 48 p.

Bibliografia

• Russell Champlin, Family E and Its Allies in Matthew (Studies and Documents, XXIII; Salt Lake City, UT, 1967).
• J. Greelings, Family E and Its Allies in Mark (Studies and Documents, XXXI; Salt Lake City, UT, 1968).
• J. Greelings, Family E and Its Allies in Luke (Studies and Documents, XXXV; Salt Lake City, UT, 1968).
• F. Wisse, Family E and the Profile Method, Biblica 51, (1970), pp. 67–75.

Ligações externas

• O Commons possui uma categoria com multimídias sobre Codex Basilensis
• R. Waltz, Codex Basilensis E (07) (em inglês): na Encyclopedia of Textual Criticism

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Basilensis
Imagem: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Codex_Basilensis_08.jpg

Codex Augiensis

O Codex Augiensis, também conhecido como Manuscrito Fp ou 010 (Gregory-Aland), pertence provavelmente do século século IX. Contem 136 fólios dos Epístolas paulinas (23 x 19 cm).[1]


Atualmente acha-se no Trinity College (Cambridge) (Cat. number: B. XVII. 1).[1]

O texto é escrito em duas colunas por página, em 28 linhas por página.[1]

Texto

O texto grego desse códice é um representante do Texto-tipo Ocidental. Aland colocou-o na Categoria II.[1]

Referências

1. ↑ a b c d ALAND & ALAND, Kurt & Barbara. The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism: Trad. por Erroll F. Rhodes (em inglês). Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1995. 110 p.

Bibliografia

• F. H. A. Scrivener, Contributions to the Criticism of the Greek New Testament bring the introduction to an edition of the Codex Augiensis and fifty other Manuscripts, Cambridge 1859.
• K. Tischendorf, Anecdota sacra et profana ex oriente et occidente allata sive notitia, Lipsiae 1861, pp. 209-216.
• W.H.P. Hatch, On the Relationship of Codex Augiensis and Codex Boernerianus of the Pauline Epistles, Harvard Studies in Classical Philology, Vol. 60, 1951, pp. 187–199.

Ligações externas

• Codex Augiensis (em inglês) na Trinity College Library Cambridge
• Codex Augiensis F (010) (em inglês): na Encyclopedia of Textual Criticism

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Augiensis
Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Augiensis

Codex Athous Lavrensis


Codex Athous Lavrensis designado por Ψ ou 044 (Gregory-Aland), δ 6 (von Soden), é um manuscrito uncial grego dos quatro evangelhos, datado pela paleografia como sendo do século IX.[1]


Actualmente acha-se no Grande Lavra (B' 52) em Monte Atos.[1]

Descoberta

Contém 261 folhas (21 x 15.3 cm) dos quatro evangelhos, Atos, Paulo, com várias lacunas (Mateus; Marcos 1,1-9,5; em Hebreus 8,11-9,19), e foi escrito com uma coluna por página, contendo 31 linhas cada.[1]

Ele contém respiração e acentos.[2]

Contém o κεφαλαια, as Seções Amonianas, ele necessita de Cânones Eusebianos.[2]

Texto

O texto grego desse códice é misto. Aland colocou-o na Categoria III.[1]

O texto grego do Evangelho segundo Marcos é um representante do Texto-tipo Alexandrino (semelhante ao Codex Regius).

Referências

1. ↑ a b c d Kurt und Barbara Aland, Der Text des Neuen Testaments. Einführung in die wissenschaftlichen Ausgaben sowie in Theorie und Praxis der modernen Textkritik. Deutsche Bibelgesellschaft, Stuttgart 1981, p. 123. ISBN 3-438-06011-6. (em alemão)
2. ↑ a b C. R. Gregory, "Textkritik des Neuen Testaments", Leipzig 1900, vol. 1, p. 94 (em alemão)

Bibliografia

• Kirsopp Lake, Texts from Mount Athos, Studia Biblica et Ecclesiastica, 5 (Oxford 1903), pp. 89–185.
• Kirsopp Lake, The Text of Codex Ψ in St. Mark, JTS I (1900), pp. 290–292.
• C. R. Gregory, Textkritik des Neuen Testaments (Leipzig 1900), vol. 1, pp. 94–95.
• Hermann von Soden, Die Schriften des Neuen Testaments in ihrer altesten erreibaren Textgestalt, I, III (Berlin, 1910), pp. 1664,-1666, 1841, 1921, 1928.
• M.-J. Lagrange, La critique rationnelle (Paris, 1935), pp. 109 f.

Ver também

• Lista de manuscritos unciais do Novo Testamento Grego
• Manuscrito bíblico
• Codex Petropolitanus Purpureus
• Crítica textual

Ligações externas

• Codex Athous Lavrentis Ψ (044): na Encyclopedia of Textual Criticism
• Kirsopp Lake, Texts from Mount Athos (Oxford 1903)

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Athous_Lavrensis

Codex Athous Dionysiou

Codex Athous Dionysiou, designado por Ω ou 045 (in the Gregory-Aland), ε 61 (von Soden), é um manuscrito uncial grego do Novo Testamento. A paleografia data o codex para o século 9.[1]

Crítica textual

Referências
1.↑ Kurt Aland and Barbara Aland, The Text of the New Testament: An Introduction to the Critical Editions and to the Theory and Practice of Modern Textual Criticism, trans. Erroll F. Rhodes, William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Michigan, 1995, p. 118.

Literatura

Compilações

Kirsopp Lake e Silva New, Six Collations of New Testament Manuscripts Harvard Theological Studies, XVII, (Cambridge, Massachusetts, 1932; 2007), pp. 3–25.

Artigos

Russell Champlin, Family E and Its Allies in Matthew (Studies and Documents, XXIII; Salt Lake City, UT, 1967).
J. Greelings, Family E and Its Allies in Mark (Studies and Documents, XXXI; Salt Lake City, UT, 1968).
J. Greelings, Family E and Its Allies in Luke (Studies and Documents, XXXV; Salt Lake City, UT, 1968).
Frederik Wisse, Family E and the Profile Method, Biblica 51, (1970), pp. 67–75.

Codex Argenteus

O Codex Argenteus ou "Livro de Prata", por ter sido escrito com tinta prateada, é um manuscrito do Século VI, que originalmente continha cópia de parte da Bíblia traduzida no Século IV da Língua grega para a Língua gótica pelo bispo godo ariano Úlfilas.


O famoso palimpsesto Códice Argenteus, é um evangeliário, um livro sagrado cristão contendo partes dos quatro evangelhos (não chega a ser uma Bíblia, nem mesmo um Novo Testamento). Das 336 folhas originais do Codex, se conservam 188, incluindo o fragmento descoberto em 1970 na Catedral de Speyer, contendo a tradução da maior parte dos quatro evangelhos em língua gótica, sendo o texto mais conhecido neste idioma extinto, e uma das principais fontes de conhecimento da mais antiga língua germânica que se tem evidência escrita, o idioma gótico.

Algumas letras de ouro embelezam as primeiras três linhas de cada evangelho, na ordem de Mateus, João, Lucas e Marcos, bem como os inícios das diferentes seções. Os nomes dos escritores dos Evangelhos também aparecem em ouro no alto de quatro "arcadas" paralelas, assentadas ao pé de cada coluna de escrita. Essas fornecem referências a passagens paralelas nos Evangelhos.[1] A maior parte do Codex Argenteus (187 folhas) está em exibição permanente na biblioteca Carolina Rediviva da Universidade de Uppsala, Suécia. A última folha se encontra na Catedral de Speyer, Alemanha.

História

Origem

A Bíblia de prata foi escrita provavelmente em Rávena no começo do século VI para o Rei dos ostrogodos, Teodorico o Grande. Foi produzida como um livro sagrado especial para a corte do Rei dos godos e dos romanos, com algumas letras escritas com tinta de ouro. As partes das copias dos evangelhos correspondem ao cânon ou regra do o bispo Eusébio de Cesareia e nas Tabelas de Concordância dos quatro evangelistas que aparecem nos quatro arcos de prata desenhados em cada página. O restante das letras escritas com tinta de prata (daí o nome argenteus, de prata em latim), em pergaminho de alta qualidade colorido de púrpura com tintas vegetais, adornado e provavelmente encadernado com pérolas e pedras preciosas. Depois da morte de Teodorico no ano 526 a Bíblia de prata não foi mencionada em inventários ou listas de livros durante mais de mil anos, quando foi redescoberta na Abadia beneditina de Werden, perto de Essen, na Renânia, Alemanha por dois teólogos de Colônia, Georg Cassander e Cornelius Wouters (segundo a correspondência do século XVI que cruzaram mediantes outros estudiosos).

O Mistério dos mil anos

Cerca de trinta anos depois da morte de Teodorico o Grande, o reino ostrogodo na Itália chegou a seu fim com a conquista do mesmo pelo Império Bizantino de Justiniano, que veio de Rávena sua capital na Itália. Visto que o Codex Argenteus era Pertencente a uma fé perseguida por heréticos, escrito num idioma que já não era usado, os estudiosos se perguntam como chegou à abadia de Werden, em Renânia desde Rávena, na Padania, e sobretudo, como uma folha se separou e chegou a Speyer.

Existem três teorias principais:

• A separação temporã em que a folha teria se separado do Códice na temporã Idade Média e seguindo a distintas relíquias de santos da Igreja. Enaquanto isso, os restos do manuscrito passariam pela Europa, chegando aos lugares de culto de seus portadores;

• A separação posterior. Supõe-se que a folha de Speyer teria permanecido junto com o restante do Códice em Werden por volta do século XV. Quando seus detentores separaram a última folha do códice para enviá-la a Mainz, pediram informações sobre a natureza do códice que estava num idioma desconhecido. Em Moguncia, a folha solta teria sido posta junto com as relíquias de São Erasmo. As folhas teriam sido reunidas novamente pelo principal arcebispo de Moguncia Alberto de Brandeburgo por volta de 1545, ano da sua morte.

• A via carolíngia. Supõe-se que o Códice argenteus esteve em Rávena quando foi tomado por Carlos Magno e levado a sua capital em Aachen, a pouca distãncia da Abadia de Werden.[2]

Redescobrimento

Por volta do ano 799, as 187 folhas do pergaminho estavam preservadas na Abadia beneditina de Werden guardada entre os monastérios mais ricos do Sacro Império Romano-Germânico, cujos abades possuíam o título de príncipes imperiais. A parte restante do livro apareceu na biblioteca do imperador Rodolfo II em sua sede imperial de Praga. Em 1648, no fim da Guerra dos Trinta Anos, foi tomado como botín de guerra e levado a Estocolmo, para a biblioteca da rainha Cristina da Suécia. Depois de sua conversão ao catolicismo e sua posterior abdicação (1654), o livro desaparece de sua biblioteca e é levado aos Países Baixos pelo bibliotecário da rainha, Isaac Vossius. Em 1662, foi comprado pelo Chanceler sueco Magnus Gabriel De la Gardie, que proporcionou a atual encadernação e o resguardou na Universidade de Uppsala.[3] Olof Rudbeck, que foi reitor da universidade nessa época, foi suspeito da falsificação do manuscrito ocorrida na década de 1670, com o objetivo de aumentar a confiabilidade de documentos antigos que provariam suas teorias políticas sobre a Grande Suécia.[4]

Hoje em dia, o códice permanece na biblioteca Carolina Rediviva da da Universidade de Uppsala, Suécia. Em Março de 1995, a capa e algumas folhas do Códice foram roubados da exposição pública na Biblioteca Carolina Rediviva, aproveitando falhas de segurança. Apareceu um mês depois numa na Estação Central de Ferroviária de Estocolmo, Suécia. Desconhece-se se o resto do livro sobreviveu, mas o paradeiro dos outros fragmentos continuam sendo um mistério.

O fragmento de Speyer

A folha final do códice, a folha 336, foi descoberta em outubro de 1970 por Franz Haffner, na Catedral de Speyer, Alemanha. Foi encontrada na capela de Santa Afra de Augsburgo enrolada em volta de um marco de madeira, contendo um pequeno relicário originário de Aschaffenburg. A folha contém os nove últimos versículos do capítulo 16 do Evangelho de Marcos.

Conteúdo do inteiro codex

• Evangelho de Mateus: 5:15-48; 6:1-32; 7:12-29; 8:1-34; 9:1-38; 10:1,23-42; 11:1-25; 26:70-75; 27:1-19,42-66.
• Evangelho de João: 5:45-47; 6:1-71; 7:1-53; 8:12-59; 9:1-41; 10:1-42; 11:1-47; 12:1-49; 13:11-38; 14:1-31; 15:1-27; 16:1-33; 27:1-26; 28:1-40; 29:1-13.
• Evangelho de Lucas 1:1-80; 2:2-52; 3:1-38; 4:1-44; 5:1-39; 6:1-49; 7:1-50; 8:1-56; 9:1-62; 10:1-30; 14:9-35; 15:1-32; 16:1-24; 17:3-37; 18:1-43; 19:1-48; 20:1-47.
• Evangelho de Marcos: 1:1-45; 2:1-28; 3:1-35; 4:1-41; 5:1-5; 5-43; 6:1-56; 7:1-37; 8:1-38; 9:1-50; 10:1-52; 11:1-33; 12:1-38; 13:16-29; 14:4-72; 15:1-47; 16:1-12 (+ 16:13-20).

Publicações

Logo após o reaparecimento deste códice, os eruditos passaram a estudar sua escrita para descobrir o sentido da língua gótica morta. A primeira publicação que menciona o códice apareceu em 1569, por Johannes Goropius Becanus de Amberes (provavelmente, devido a seus contactos com Georg Cassander e Cornelius Wouters). Em 1597, Bonaventura Vulcanius, outro neerlandês, publicou o texto, sendo a primeira publicação do texto gótico que leva o nome de Codex Argenteus. Franciscus Junius, tio de Isaac Vossius, imprimiu na Holanda a Primeira Edição do códice em 1665. Em 1737, Lars Roberg, médico de Uppsala, fez uma Xilogravura de una página do manuscrito; foi incluído na edição de Benzelius de 1750, e a prancha xilográfica se preserva na Biblioteca Diocesana e Regional de Linköping. A edição estandarte foi produzida pelo professor da Universidade de Uppsala Anders Uppström, entre 1854 e 1857. Recorrendo aos manuscritos disponíveis e a anteriores tentativas de restauração do texto, o erudito alemão Wilhelm Streitberg compilou e publicou em 1908 "Die gotische Bibel" (A Bíblia Gótica), com o texto grego e gótico em páginas opostas. Em 1927 realizou-se a última e mais importante edição tipo fac-símile do códice pelo professor de Química e premio Nobel Theodor Svedberg e também pelo Dr. Hugo Andersson.[5]

Referências

1. ↑ w94 15/5 página 8 A Bíblia gótica, uma notável realização
2. ↑ Munkhammar, Lars, Codex argenteus. From Ravenna to Uppsala – the wanderings of a Gothic manuscript from the early sixth century, 64ª Conferência Geral da IFLA, de 16 a 21 de agosto de 1998 64th IFLA General Conference
3. ↑ Universidade de Uppsala
4. ↑ Landau, David, The study of old texts with the aid of digital technology: the Gothic manuscripts, Tampere University of Technology-Institute of Software Systems, Informe del 26 de octubre de 2001, descrito en página 25
5. ↑ w94 15/5 página 9, Manuscritos que sobreviveram
• Bologna, Giulia, Illuminated Manuscripts: The Book before Gutenberg, New York: Crescent Books, 1995. pg. 50.

Ligações externas

• O Codex Argenteus Online (em inglês)
• Wulfila Project (em inglês) Biblioteca digital dedicado ao estudo gótico
• Site oficial do Codex Argenteus (em inglês) em Língua sueca)
• Lars Munkhammar, Uppsala University Library, "Codex Argenteus" (em inglês)
• Bibliografia do Codex Argenteus (em inglês)
• [The Gothic Bible gotische Bibel] (em inglês) ] on Wikisource, Streitberg's edition
• the Gothic New Testament (em inglês) on wikisource, Patrologia Latina edition

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Argenteus
Imagem: http://www.unesco-ci.org/photos/showphoto.php/photo/6257/title/codex-argenteus-2c-an-op/cat/1037

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