Rita e André estavam superanimados para o dia em que o pai deles iria sair. Era uma oportunidade única para fazer o que quisessem em casa, pois ele havia deixado tudo de que precisavam: bolo e sorvete na geladeira, e brinquedos novos trancados no quarto. O pai, porém, fez um pedido específico: “Não mexam na caixinha da cozinha. Se vocês não mexerem nela, eu vou dar os brinquedos novos para vocês brincarem quando voltar. Não toquem nela e nem abram, ok?”
Depois que o pai saiu, Rita e André começaram a se divertir. Primeiro, assistiram a seus desenhos animados favoritos, rindo e se entretendo com as aventuras na TV. Em seguida, jogaram videogame por um bom tempo, competindo em uma partida emocionante e se divertindo muito.
Depois de tanto tempo jogando e assistindo TV, decidiram que era hora de brincar de casinha. Montaram um cenário com almofadas e cobertores e fizeram de conta que eram uma família que estava fazendo um piquenique no meio da sala. Prepararam uma pequena “festa” com os brinquedos e com o bolo e o sorvete que o pai havia deixado. A casa estava cheia de alegria e risadas.
Enquanto Rita estava na cozinha pegando mais sorvete, a curiosidade começou a ganhar força. Seus olhos foram atraídos pela pequena caixinha que estava em cima da mesa da cozinha. Ela olhou para todos os lados, observando a caixinha de perto, tentando descobrir o que poderia haver dentro. A caixinha parecia tão simples e ao mesmo tempo tão misteriosa.
André se aproximou e perguntou:
— Rita, o que você está fazendo?
Rita, ainda observando a caixinha com curiosidade, respondeu:
— Eu estou tentando ver o que tem dentro dessa caixinha. O pai disse para não mexermos nela, mas eu realmente quero saber o que é. Você também está curioso?
André hesitou, mas a curiosidade começou a tomá-lo também. Eles trocaram olhares e decidiram que iriam levantar a caixinha apenas para espiar, sem tocar em nada mais.
Quando Rita e André levantaram a caixinha da mesa, algo preto e rápido escapuliu de dentro. O que quer que fosse, saiu correndo sem que eles tivessem a menor ideia do que era. Os dois pularam de susto e começaram a procurar freneticamente pela cozinha. O pânico se instalou quando perceberam que não conseguiam encontrar o que tinha saído da caixinha.
— O que era aquilo? — perguntou André, tentando manter a calma.
— Não sei! — respondeu Rita, com a voz tremendo. — Devemos procurar por toda a cozinha!
Eles vasculharam cada canto, reviraram as gavetas, e olhavam debaixo da mesa e do armário. O desespero aumentava conforme o tempo passava, e o que quer que tivesse saído da caixinha parecia ter desaparecido completamente. O medo e a angústia de não saber onde o pequeno invasor poderia estar deixavam os dois ainda mais nervosos.
De repente, o pânico se generalizou quando ouviram o barulho familiar do carro do pai chegando na garagem. A sensação de que o tempo estava acabando fez com que Rita e André se olhassem, apavorados e sem saber o que fazer. Com o coração batendo forte e a mente em um turbilhão, decidiram se esconder.
Eles correram para debaixo da mesa da cozinha, que tinha uma toalha grande cobrindo-a. A toalha se estendia até o chão, escondendo completamente os dois de qualquer pessoa que pudesse olhar para a cozinha. Eles tentaram controlar a respiração, tentando ficar o mais silenciosos possível enquanto o pai entrava em casa.
O pai abriu a porta e chamou:
— Crianças, cheguei!
O silêncio que se seguiu fez com que ele perguntasse, com uma voz um pouco mais alta:
— Onde estão vocês?
Sem resposta, ele começou a se preocupar e presumiu que algo pudesse ter acontecido. Com um tom mais sério, perguntou:
— Acaso vocês mexeram na caixinha que eu pedi para não tocar e nem abrir?
André, engolindo em seco e tentando falar com a voz firme, respondeu:
— A Rita veio pegar sorvete e, ao olhar a caixinha, ficou curiosa. Ela me convenceu e levantamos juntos a caixinha. Quando fizemos isso, algo preto e rápido saiu correndo, mas não conseguimos encontrar o que era.
Rita, com um olhar culpado e uma voz tremendo, completou:
— Pai, a caixinha era tão bonita e agradável aos olhos que uma voz veio à minha mente dizendo: “Só uma olhadinha não fará mal.” E acabei abrindo.
O pai, embora visivelmente preocupado, tentou manter a calma. Ele sabia que a curiosidade infantil podia levar a situações inesperadas, mas o que mais importava era a responsabilidade e a capacidade de obedecer às regras que ele havia estabelecido. Olhou para os filhos com um olhar compreensivo, mas firme.
— O que havia na caixinha não é o mais importante agora, Rita e André. O que importa é saber se vocês têm condição de obedecer quando eu deixo vocês sozinhos. Eu pedi para não mexer na caixinha e vocês não obedeceram. Agora, precisamos lidar com as consequências disso.
Ele pensou por um momento e decidiu o castigo que achava mais apropriado.
— A partir de hoje, vocês não poderão brincar com os novos brinquedos que eu trouxe até que o comportamento de vocês melhore. Além disso, durante uma semana, cada um de vocês terá que ajudar nas tarefas da casa que normalmente não fazem, como lavar a louça e arrumar o próprio quarto, sem reclamar. Isso vai ajudá-los a entender a importância de seguir as regras e a responsabilidade que vem com a liberdade.
Rita e André ouviram o castigo com cabeças baixas e corações pesados. Eles sabiam que tinham cometido um erro e estavam dispostos a aceitar as consequências para aprender a lição. O pai, vendo a reação deles, continuou com um tom mais sério:
— Infelizmente, por causa do que aconteceu, eu não poderei mais deixá-los sozinhos em casa com a liberdade de fazer o que quiserem. Eu vou ter que estar presente para garantir que as regras sejam seguidas. Quero que entendam que confiar em vocês é uma responsabilidade que deve ser conquistada. Quando vocês mostrarem que podem ser responsáveis e obedientes, eu vou reconsiderar a possibilidade de deixá-los sozinhos novamente.
Rita e André concordaram, ainda um pouco tristes, mas decididos a corrigir seus erros e mostrar que podiam ser responsáveis. Eles sabiam que o castigo era uma forma de aprender e estavam dispostos a fazer o que fosse necessário para recuperar a confiança do pai e, eventualmente, ter a oportunidade de desfrutar da liberdade que antes tinham.
Momento de Reflexão
A história de Rita e André e sua desobediência à regra do pai pode servir como uma reflexão poderosa sobre a antiga narrativa do Jardim do Éden, onde Adão e Eva também enfrentaram uma situação de desobediência.
No Jardim do Éden, Deus estabeleceu uma única regra para Adão e Eva: não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. “E o Senhor Deus ordenou ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comer, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16-17). Assim como o pai de Rita e André deixou uma instrução clara e específica — não mexer na caixinha — Deus deu um comando claro aos primeiros seres humanos. Ambos os casos envolvem uma instrução direta que foi desobedecida, levando a consequências significativas.
Para Adão e Eva, a desobediência não foi apenas um ato de curiosidade, mas uma transgressão direta do comando divino. “E a mulher viu que a árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; e tomou do seu fruto, e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu.” (Gênesis 3:6). Eles foram atraídos pela aparência tentadora do fruto proibido, e sua curiosidade levou à transgressão. Esse ato de desobediência teve consequências graves: a perda da inocência, a introdução do pecado no mundo e a expulsão do Jardim do Éden. “E os expulsou do jardim do Éden, e pôs querubins ao oriente do jardim, e uma espada flamejante que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.” (Gênesis 3:24).
Da mesma forma, Rita e André, ao desobedecerem a regra do pai, enfrentaram consequências: a perda da liberdade para fazer o que quisessem em casa e a necessidade de enfrentar um castigo para corrigir seu comportamento. Embora suas ações não tenham tido a gravidade da queda de Adão e Eva, a situação reflete a realidade de que desobediência pode levar a consequências dolorosas.
A história do Jardim do Éden nos ensina que a desobediência está profundamente enraizada em nossa natureza. Assim como Adão e Eva sucumbiram à tentação e desobedeceram, todos nós enfrentamos uma inclinação para agir de maneira que contraria as instruções divinas. “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todos os homens, por isso todos pecaram.” (Romanos 5:12). Essa natureza pecaminosa é algo com o qual todos lutamos.
No entanto, há uma mensagem de esperança e redenção. Apesar da queda e das consequências da desobediência, Deus ofereceu um caminho para a restauração. Em vez de deixar a humanidade em um estado de condenação eterna, Ele enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para morrer por nossos pecados. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16). Através de Cristo, a morte eterna foi vencida e a possibilidade de reconciliação com Deus foi aberta.
Assim como o pai de Rita e André prometeu restaurar a liberdade deles se eles provassem ser responsáveis e obedientes, Deus também oferece a restauração ao Jardim do Éden — um retorno à comunhão plena com Ele. Cristo, por meio de Sua morte e ressurreição, nos dá a chance de ser restaurados, de viver em obediência a Deus e de experimentar uma nova vida. “E a morte já não é mais a nossa senhora; porque o Senhor Jesus Cristo triunfou sobre a morte.” (1 Coríntios 15:54-55).
A lição aqui é clara: a desobediência pode levar a consequências, mas a obediência a Deus e a aceitação do sacrifício de Cristo nos traz a promessa de restauração e vida eterna. A obediência a Deus não é apenas uma questão de seguir regras, mas de viver em alinhamento com o plano divino que foi estabelecido para nossa felicidade e bem-estar. “Se vocês me amam, guardem os meus mandamentos.” (João 14:15). Através da obediência, somos restaurados e recebemos a promessa de um novo começo, assim como Adão e Eva poderiam ter experimentado se tivessem obedecido.
Portanto, enquanto enfrentamos as tentações e desafios da vida, é crucial lembrar que, apesar da nossa natureza inclinada à desobediência, há sempre um caminho de volta através da graça e da obediência a Deus. Cristo nos oferece a chance de ser restaurados e de viver a plenitude da vida que Deus preparou para nós. “E, se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9). Através da obediência e da fé em Cristo, podemos alcançar a verdadeira restauração e viver de acordo com o propósito divino que Deus tem para nós.
Querido leitor,
A desobediência, seja no Jardim do Éden ou nas pequenas escolhas do dia a dia, sempre traz consequências. No entanto, há uma solução urgente e poderosa disponível para todos nós: a graça de Deus através de Jesus Cristo. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).
Não adie mais! Reconheça suas falhas, confesse seus pecados e busque a restauração que Cristo oferece. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9).
O momento de transformação é agora. Não deixe passar a chance de viver em plena obediência e renovação. Aceite a oferta de perdão e comece uma nova jornada com Deus hoje mesmo. A decisão é sua, e o tempo é agora.
Com urgência e esperança,
Johnny Cleber Francisco
Bíblia Curiosa

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