Imagine que você recebe uma notícia inesperada: alguém muito importante escolheu você para uma missão especial.
Qual seria sua primeira reação? Talvez você perguntasse: "Por que eu?"
Talvez olhasse para sua própria vida e pensasse em todas as suas limitações, erros e fraquezas.
"Existem tantas pessoas melhores do que eu. Por que alguém me escolheria?"
Essa reação revela algo muito humano. Nós costumamos acreditar que escolhas importantes são feitas baseadas em capacidade, força, inteligência ou posição. Escolhemos os melhores jogadores. Escolhemos os melhores profissionais. Escolhemos aquilo que parece mais valioso.
Mas quando olhamos para a maneira como Deus escolhe, descobrimos algo completamente diferente. Deus não escolhe como o homem escolhe. E talvez essa seja uma das maiores surpresas da Bíblia.
O povo escolhido não era o povo que parecia especial
Quando pensamos em um povo escolhido por Deus, talvez imaginemos uma grande nação, poderosa, admirada por todos e superior às demais.
Mas a história bíblica começa de uma forma completamente diferente. Começa com um homem chamado Abraão. Ele não era rei. Não comandava exércitos. Não possuía uma grande influência. Era apenas um homem vivendo sua vida em sua terra.
Então Deus faz um chamado que mudaria sua história:
"Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!" (Gênesis 12:1-2)
Perceba algo que talvez passe despercebido. Deus não encontrou Abraão pronto. Deus chamou Abraão para prepará-lo. O homem olha para aquilo que alguém é. Deus olha para aquilo que alguém pode se tornar em Suas mãos. Essa é uma diferença fundamental. Muitas vezes você olha para sua história e enxerga apenas suas falhas. Deus olha para a mesma história e enxerga um propósito.
Deus não escolheu Israel porque era maior
Com Abraão começou uma promessa que passaria por Isaque e Jacó, cujo nome foi mudado para Israel. Dessa família surgiria uma nação. Mas aqui está uma verdade que surpreende.
Israel não foi escolhido porque era superior aos outros povos. Não foi porque era mais numeroso. Não foi porque possuía mais força. Deus deixou isso muito claro:
"O Senhor não tomou apego a vós, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos; mas porque o Senhor vos amava..." (Deuteronômio 7:7-8)
Perceba a diferença entre a lógica humana e a lógica divina.
O homem pensa:
"Sou escolhido porque sou melhor."
Deus ensina:
"Sou escolhido porque fui amado e tenho uma missão."
A escolha de Deus nunca foi uma declaração de superioridade. Foi um chamado para servir.
O maior privilégio também era a maior responsabilidade
Talvez, ao ouvir que Israel era o povo escolhido, alguém pudesse pensar: "Que privilégio!"
E realmente era. Mas havia algo maior envolvido. Havia uma responsabilidade. Deus disse:
"E vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa." (Êxodo 19:6)
O sacerdote tinha uma função: aproximar pessoas de Deus. Israel não deveria apenas receber a bênção. Deveria revelar a bênção. Não deveria apenas conhecer Deus. Deveria mostrar Deus ao mundo.
Esse princípio continua sendo verdadeiro hoje. Deus nunca ilumina uma pessoa apenas para que ela aproveite a luz sozinha. Ele ilumina para que ela ajude outros a encontrar o caminho.
Talvez Deus tenha colocado algo em suas mãos não apenas para beneficiar você, mas para alcançar alguém através de você.
O plano de Deus sempre apontava para Cristo
Mas a história do povo escolhido não termina em Israel. Na verdade, Israel nunca foi o destino final. Era parte de um plano maior. Desde o início, Deus estava preparando o mundo para a chegada de Jesus. Paulo explica:
"Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo." (Gálatas 3:16)
Aqui está uma descoberta importante. O centro da história não é Israel. O centro da história é Cristo. Israel recebeu a promessa. Mas Jesus era o cumprimento da promessa. A bênção que começou com Abraão seria oferecida ao mundo inteiro através do Salvador. Por isso Jesus ordenou:
"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações..." (Mateus 28:19)
O Deus que começou chamando uma família agora estava chamando pessoas de todos os povos.
O povo escolhido não é definido pela origem, mas pela união com Cristo
Durante séculos existiu uma separação entre judeus e gentios. Mas Cristo veio fazer algo que nenhum ser humano conseguiria fazer. Ele veio derrubar barreiras. Paulo escreveu:
"Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio..." (Efésios 2:14)
A cruz mostrou que, diante de Deus, a maior separação não era entre povos. Era entre o ser humano e seu Criador. E Cristo veio restaurar essa relação. Por isso Pedro escreve:
"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus..." (1 Pedro 2:9)
Agora essa pergunta chega até você. Você já percebeu que essa promessa também envolve sua vida?
Deus não escolhe pessoas apenas para salvá-las, mas para enviá-las
Talvez você já tenha feito esta pergunta: "Qual é o propósito da minha vida?"
A resposta começa aqui. Você não foi criado apenas para existir. Não foi chamado apenas para receber bênçãos. Foi chamado para representar Deus. O mundo precisa enxergar Cristo através daqueles que pertencem a Ele.
Na sua família. No seu trabalho. Nas suas escolhas. Na maneira como você trata as pessoas.
Ser escolhido por Deus não significa estar acima dos outros. Significa estar disponível para servir outros. Jesus mostrou isso perfeitamente. Ele era o Filho de Deus, mas lavou os pés dos discípulos. Ele tinha toda autoridade, mas escolheu servir. Ele merecia ser exaltado, mas escolheu a cruz.
A pergunta que Deus faz a você hoje
A história do povo escolhido não é apenas uma história antiga. É um convite. Deus chamou Abraão. Formou Israel. Enviou Cristo. Chamou pessoas de todas as nações. E continua chamando hoje.
Talvez você tenha passado muito tempo olhando para suas limitações e pensando:
"Deus não pode usar alguém como eu."
Mas a Bíblia mostra exatamente o contrário. Deus sempre trabalhou através de pessoas que dependiam dEle. A questão nunca foi se elas eram suficientes. A questão sempre foi se estavam dispostas. Então a pergunta final não é apenas:
"Quem é o povo escolhido?"
A pergunta que Deus coloca diante de você é:
"Você permitirá que Eu transforme sua vida em uma expressão do Meu amor para o mundo?"
Porque ser escolhido por Deus não é apenas receber um lugar em Sua família. É aceitar o chamado de fazer parte da Sua missão.
E talvez hoje Deus esteja chamando você para descobrir que sua vida não é um acidente. Ela faz parte de um plano maior.
Um plano que começou com uma promessa, encontrou seu cumprimento em Cristo e continua sendo escrito através daqueles que entregam sua vida nas mãos de Deus.

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