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15 outubro 2009

A TRINDADE NA BÍBLIA


A Trindade conforme ensinada nas Escrituras

A palavra “Trindade” não aparece nas Escrituras, mas a realidade apresentada por esse termo pode ser observada no conjunto do ensino bíblico. A Bíblia revela um único Deus e, ao mesmo tempo, apresenta o Pai, o Filho e o Espírito Santo como distintos entre si, participando da mesma realidade divina. Nossa compreensão é limitada, pois “as coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem” (Deuteronômio 29:29).

I — A unidade e a pluralidade na revelação bíblica

Desde o início das Escrituras, Deus é apresentado como o Criador: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1). No mesmo relato encontramos uma expressão que chama atenção: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Logo depois, porém, o texto volta ao singular: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou” (Gênesis 1:27).

Após a entrada do pecado, encontramos novamente essa combinação entre singular e plural: “Eis que o homem se tornou como um de nós” (Gênesis 3:22).

Em Isaías 6, o profeta registra a voz divina: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Isaías 6:8). O texto apresenta tanto o singular quanto o plural na manifestação de Deus.

O Antigo Testamento também afirma claramente a unicidade de Deus: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4). Portanto, a revelação bíblica não ensina a existência de vários deuses, mas apresenta um único Deus.

II — O Pai, o Filho e o Espírito Santo

No Novo Testamento, aquilo que aparece de maneira mais implícita no Antigo Testamento é apresentado com maior clareza.

Jesus é identificado como Deus. João declara: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1). Pouco depois, afirma: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Portanto, aquele que era Deus tornou-se carne em Jesus Cristo.

Tomé, ao encontrar Jesus ressuscitado, declarou: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20:28). Jesus também afirmou: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30).

Ao mesmo tempo, Jesus não é apresentado como sendo a mesma Pessoa que o Pai. No batismo de Jesus, o Filho está nas águas, o Espírito Santo desce sobre Ele e a voz do Pai é ouvida dos céus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3:16-17). Temos, portanto, o Pai, o Filho e o Espírito Santo manifestados distintamente.

O Espírito Santo também é apresentado nas Escrituras de maneira pessoal e divina. Pedro disse a Ananias: “Por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?” (Atos 5:3). Em seguida acrescentou: “Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:4). O Espírito Santo não é apresentado simplesmente como uma força impessoal, mas como alguém a quem se pode mentir.

As Escrituras também mostram que o Espírito Santo possui vontade própria: “Um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1 Coríntios 12:11).

III — Pai, Filho e Espírito Santo juntos

Uma das declarações mais claras encontra-se nas palavras de Jesus aos discípulos:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19).

Jesus não apresenta três nomes independentes de deuses, mas um único “nome”, mencionando o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

A mesma realidade aparece na bênção apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Coríntios 13:13).

Paulo também afirma que há “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Efésios 4:6), enquanto apresenta o Filho como aquele por meio de quem todas as coisas existem: “todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele” (1 Coríntios 8:6).

O Espírito Santo também participa da obra divina. Na criação, “o Espírito de Deus pairava por sobre as águas” (Gênesis 1:2). Na concepção de Jesus, o anjo declarou a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lucas 1:35).

IV — Um Deus, três Pessoas

As Escrituras apresentam o Pai como Deus (João 17:3; 1 Coríntios 8:6), apresentam o Filho como Deus (João 1:1; João 20:28; Hebreus 1:8) e apresentam o Espírito Santo em sua natureza divina (Atos 5:3-4; 1 Coríntios 3:16; 6:19).

Ao mesmo tempo, a Bíblia afirma que existe um só Deus:

“Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus” (Isaías 45:5).

Portanto, a doutrina da Trindade não afirma a existência de três deuses. Ela procura expressar aquilo que as próprias Escrituras revelam: há um único Deus, e o Pai, o Filho e o Espírito Santo são apresentados distintamente na revelação bíblica.

Essa distinção pode ser observada também nas palavras de Jesus: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” (João 14:16). Jesus fala do Pai, fala de si mesmo e fala do Espírito Santo como “outro Consolador”.

No capítulo seguinte, Jesus declara: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim” (João 15:26).

Assim, o Pai envia o Filho, o Filho envia o Espírito Santo, e os três aparecem atuando na obra da salvação.

V — A obra conjunta do Pai, do Filho e do Espírito Santo

A salvação também revela a atuação conjunta das três Pessoas. Pedro escreveu aos cristãos como aqueles que foram “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:2).

O Pai é apresentado como aquele que ama e envia o Filho: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16).

O Filho entrega a própria vida pela humanidade: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15:13).

E o Espírito Santo participa diretamente da transformação do ser humano, pois Paulo afirma: “Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Coríntios 6:11).

A Bíblia, portanto, não apresenta o Pai, o Filho e o Espírito Santo como três deuses independentes. Ela mantém a verdade de que “o Senhor é Deus; nenhum outro há, senão ele” (Deuteronômio 4:35), ao mesmo tempo em que revela o Pai, o Filho e o Espírito Santo participando da obra divina.

Conclusão

A Trindade deve ser compreendida a partir daquilo que Deus revelou nas Escrituras. A Bíblia ensina que há um só Deus (Deuteronômio 6:4; Isaías 45:5), apresenta o Pai como Deus, o Filho como Deus e o Espírito Santo em sua natureza divina, e distingue claramente os três.

Por isso, quando Jesus ordenou o batismo, declarou: “Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19). E quando Paulo encerrou sua segunda carta aos Coríntios, escreveu: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Coríntios 13:13).

A revelação bíblica nos conduz, portanto, a reconhecer o único Deus revelado nas Escrituras como Pai, Filho e Espírito Santo, unidos na obra da criação, da redenção, da santificação e da salvação. “Ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e por todos os séculos. Amém!” (Judas 25).




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